Incêndio na Boate Kiss completa 12 anos com homenagens e debates em Santa Maria
Nesta segunda-feira (27), marca-se o 12º aniversário de uma das maiores tragédias do Rio Grande do Sul: o incêndio na Boate Kiss, ocorrido em 2013, que resultou na morte de 242 pessoas e deixou 636 sobreviventes. Todos os anos, familiares, amigos e membros da comunidade se reúnem para homenagear as vítimas e reforçar a importância da memória e da busca por justiça.
Programação das homenagens
As atividades ocorrerão na tenda da vigília, instalada em frente ao Banrisul na Praça Saldanha Marinho. A iniciativa é promovida pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) e pelo Coletivo Kiss: Que Não se Repita.
Local: Tenda da vigília – Praça Saldanha Marinho
Horário: A partir das 18h
Agenda do evento
18h – Abertura oficial com Flávio Silva, presidente da AVTSM
18h10 – Atualização sobre os desdobramentos do Processo Penal, com Pedro Barcellos Jr., advogado da AVTSM
18h30 – Vozes da Saudade: Relatos emocionantes de pais que perderam seus filhos na tragédia
Maria Tagliapietra (mãe de Luciano Tagliapietra Esperdião)
Maria Aparecida Neves (mãe de Augusto Cezar Neves)
Adherbal Ferreira (pai de Jennifer Mendes Ferreira)
19h20 – Sobrevivi para contar: Depoimentos de sobreviventes da tragédia
Mirian Schalemberg, Jovani Rosso, Cristiane Clavé e Delvani Rosso
20h10 – Cuidar e acolher: Conversa com Volnei Dassoler e Patrícia Bueno, integrantes do Santa Maria Acolhe
21h – Encerramento das atividades
Celebração religiosa em memória das vítimas
Local: Catedral Metropolitana de Santa Maria
Horário: 18h15
Relembrando a tragédia
Na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, um incêndio devastador atingiu a boate Kiss, localizada no centro de Santa Maria. O fogo teve início por volta das 2h, durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira. O grupo utilizava fogos de artifício como parte do show, e as fagulhas atingiram a espuma de isolamento acústico no teto, dando início ao incêndio.
A propagação rápida da fumaça tóxica gerou pânico entre os frequentadores da boate. Muitas pessoas, na tentativa desesperada de escapar, acabaram presas no banheiro, resultando em um número trágico de vítimas. No total, 242 pessoas perderam a vida, e 636 conseguiram sobreviver.
Andamento do caso na Justiça
O júri realizado em dezembro de 2021 condenou quatro réus pelo incêndio, determinando penas por homicídio simples com dolo eventual:
Elissandro Callegaro Spohr (sócio da boate) – 22 anos e seis meses de reclusão
Mauro Londero Hoffmann (sócio da boate) – 19 anos e seis meses de prisão
Marcelo de Jesus (vocalista da banda Gurizada Fandangueira) – 18 anos de prisão
Luciano Bonilha (auxiliar da banda) – 18 anos de prisão
Contudo, em agosto de 2022, o Tribunal de Justiça (TJ) anulou o julgamento devido a falhas no processo, como a seleção dos jurados e a condução do júri, resultando na soltura dos condenados.
Já em setembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu a condenação e determinou a prisão dos réus. A defesa, no entanto, entrou com um novo recurso, e um novo julgamento está previsto para ocorrer até 13 de fevereiro de 2025.