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Geral

Inadimplência em aluguéis cresce e atraso em condomínios pode ser maior em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O mercado de locação em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, vive um momento de atenção diante do aumento dos atrasos no pagamento de aluguéis, cenário associado ao endividamento das famílias, juros elevados e comprometimento da renda. Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) indicam crescimento da inadimplência nos últimos meses, levando imobiliárias a reforçarem critérios de análise e estratégias de prevenção.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o CEO da Bortolini Imóveis, Ricardo Bortolini, avaliou que, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pelos locatários, o impacto na carteira da empresa tem sido controlado. Segundo ele, a imobiliária já vinha adotando, desde 2024, uma análise de crédito mais rigorosa, considerando o aumento do endividamento, restrições financeiras e maior comprometimento da renda das famílias.

De acordo com Ricardo Bortolini, a inadimplência na carteira da empresa, considerando atrasos de até 30 dias, está em 3,5% do total dos contratos ativos. O percentual, conforme explicou, fica abaixo da média nacional do setor, que varia entre 5% e 6%, e também abaixo de índices observados em outras imobiliárias do município. Atualmente, a Bortolini Imóveis administra cerca de 3.500 imóveis alugados em Passo Fundo.

O CEO destacou que a prevenção ocorre principalmente antes da assinatura dos contratos, com uso de garantias como seguro-fiança e título de capitalização, além da avaliação detalhada do perfil financeiro dos inquilinos. Ele apontou ainda que, em muitos casos, os atrasos começam pelas taxas condominiais, já que as penalidades são mais brandas, enquanto o aluguel tende a ser priorizado devido ao risco de perda da posse do imóvel e cobrança judicial.

Ricardo Bortolini ainda analisou outro problema enfrentado no setor de habitação, relacionado ao endividamento nas contas de condomínio. Segundo o CEO da Bortolini Imóveis, a imobiliária não possui dados consolidados sobre esse tipo de inadimplência, já que cada edifício conta com empresas próprias de administração, sem vínculo direto com a imobiliária. Mesmo assim, ele avalia que o número de inadimplentes nos condomínios tende a ser maior do que nos aluguéis, uma vez que os moradores costumam priorizar o pagamento do aluguel, por envolver o risco de perda da posse do imóvel, e acabam atrasando primeiro as taxas condominiais.

Sobre as perspectivas para 2026, Ricardo Bortolini afirmou que o mercado residencial segue aquecido, com demanda superior à oferta de imóveis, impulsionada pelo crescimento da cidade e pela chegada de novos moradores. No segmento comercial, a expectativa é de recuperação gradual, condicionada a um cenário econômico mais favorável. Já para o mercado de vendas e incorporações, a projeção é de desempenho superior ao de 2025, com possível queda de juros, maior acesso ao crédito e retomada dos investimentos.

Ao orientar quem pretende alugar um imóvel em Passo Fundo, o CEO ressaltou a importância de manter o CPF regularizado, com bom score de crédito, evitando atrasos, protestos e restrições. Segundo ele, esses fatores influenciam diretamente a decisão das imobiliárias. Para quem avalia a compra de imóveis, o momento foi apontado como favorável, com oportunidades de negociação tanto no fim de 2025 quanto ao longo de 2026, conforme a evolução do cenário econômico.