Inadimplência, comportamento e gestão: o que os números revelam sobre o momento financeiro das famílias
Nos últimos anos, o estresse financeiro passou a ocupar espaço central na rotina das famílias brasileiras. De acordo com o Raio-X do Investidor Brasileiro, metade da população declara viver alto nível de preocupação com dinheiro, sentimento que se intensifica entre quem enfrenta atrasos nas contas. Um estresse que afeta o sono, o desempenho no trabalho, os relacionamentos e a capacidade de decisão, mostrando que a inadimplência vai muito além de números.
Outro fenômeno crescente é o das apostas online, utilizadas por milhões de brasileiros. Quase metade das pessoas que apostam está endividada e, muitas vezes, tenta recuperar valores perdidos, revelando a influência de ferramentas e estímulos que se tornaram muito presentes no cotidiano.
Quando olhamos para Passo Fundo, vemos que a inadimplência entre pessoas físicas oscilou entre 37% e 39% em 2025. Entre empresas, chegou a quase 20%. Esses índices refletem um ambiente econômico exigente, marcado por inflação acumulada, renda pressionada, custos elevados e, em diversas regiões, impactos climáticos que afetam produção, faturamento e estabilidade financeira.
Mesmo diante de condições econômicas semelhantes, algumas famílias e empresas atravessam períodos instáveis com mais firmeza, enquanto outras sentem os efeitos de forma mais intensa. Isso não está ligado à falta de esforço, mas a realidades diferentes: margens financeiras mais estreitas, imprevistos frequentes e diferentes pontos de partida. A economia não impacta todos da mesma forma.
Aqui, gestão e apoio fazem a diferença. O acompanhamento responsável das instituições financeiras, aliado à organização financeira compatível com a realidade de cada pessoa e a decisões mais cautelosas, ajuda a reduzir impactos, ainda que não elimine fatores externos. Por isso, esse debate exige maturidade, responsabilidade e apoio, sem julgamentos simplistas.
O cooperativismo nasce dessa lógica. Desde sua origem, o Sicredi existe para apoiar pessoas em momentos de desafio, oferecendo orientação, educação financeira e análise responsável. Em muitos casos, prudência e aconselhamento são tão importantes quanto o acesso a recursos.
Em mar calmo, qualquer um navega. Mas, quando o ambiente econômico se torna turbulento, não basta seguir à deriva. A economia está, sim, desafiadora, mas o papel de cada pessoa nesse mar é decisivo. Com gestão, apoio e decisões conscientes, é possível atravessar a instabilidade, mesmo sem controle sobre o mar. No cooperativismo, seguimos ao lado de quem escolhe navegar com responsabilidade: você não está sozinho.
Por Valdeci Nardi, Diretor de Operações da Sicredi Integração de Estados RS/SC/MG.