IMED e Secretaria de Saúde promovem capacitação de agentes comunitários
O papel de uma instituição de ensino não se restringe apenas em gerar conhecimento, mas também, aplica-lo à prática, impactando a comunidade em que está inserida, formando agentes de transformação econômica e social.
Por meio de um projeto de extensão, a IMED, juntamente com a Secretaria de Saúde de Passo Fundo, viabilizou a capacitação de cerca de 60 agentes comunitárias de saúde o município, com o intuito de melhorar o serviço prestado à comunidade.
A oficina, que ocorreu na manhã desta terça (31), foi uma ação desenvolvida por monitores e alunos do Curso de Medicina da instituição, por meio dos conteúdos abordados nas disciplinas curriculares de Saúde Coletiva I e II, onde foram levantados previamente os assuntos de maior necessidade, junto aos trabalhadores locais de saúde. Durante as oficinas, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer mais profundamente os temas relacionados à gestação e doenças como diabetes e hipertensão.
O Secretário Adjunto de Saúde do Município, Luís Schneiders, ressaltou durante sua fala a importância do serviço realizado pelos agentes comunitários de saúde, que são o elo primordial entre a secretaria e a atenção primária à comunidade, respaldando o trabalho de atenção à população desenvolvido pelas 60 agentes vinculadas à Prefeitura de Passo Fundo.
A Coordenadora das Agentes Comunitárias de Saúde de Passo Fundo, Vanessa Ilha, destaca que o trabalho dessas agentes é de extrema relevância, uma vez que elas são os olhos da saúde junto à comunidade. “O trabalho de agentes comunitárias é feito por pessoas que são da comunidade. Então, essas pessoas conhecem muito bem a realidade onde estão inseridas, o que facilita a integração e a criação de um vínculo para que elas possam auxiliar os nossos usuários. Esse trabalho é feito por meio de visitas domiciliares que acontecem semanalmente e são realizadas no sentido de auxiliar aquelas pessoas que estão precisando de alguma assistência. Elas convidam a população a monitorar hipertensos, diabéticos, gestantes, auxiliam para que as pessoas compareçam nas consultas, e assim por diante”, pontua a também docente da instituição.
Vanessa explica que veio das próprias agentes comunitárias a demanda por auxílio em relação a aquisição de mais conhecimento sobre esses assuntos que são mais comuns na rotina de trabalho, para poderem prestar um acompanhamento mais qualificado dessas comunidades. “A partir dessa parceria realizada entre a Prefeitura de Passo Fundo e a os alunos do Curso de Medicina da IMED, a ideia de capacitações mensais foi pensada para trazer mais subsídios sobre essas temáticas levantadas pelas agentes comunitárias. Isso é uma forma de instrumentalizarmos as nossas parceiras de trabalho para que elas possam efetuar uma assistência cada vez com uma maior eficácia, já que são pessoas que estão sempre muito dispostas a fazer a diferença e que conhecem muito bem o território atendido”, explica.
Integração da Medicina com a comunidade
As disciplinas de Saúde Coletiva I e II, que ocorrem no início do Curso de Medicina, possui entre os seus objetivos envolver os alunos na rotina prática das unidades básicas de saúde. É por meio desse acompanhamento que os alunos são inseridos na realidade das comunidades, e possuem um maior contato com os agentes comunitários de saúde, participando ativamente da rotina dessa assistência prestada e do contexto em que o trabalho é desenvolvido.
Essas ações vão ao encontro do propósito do curso na instituição, uma vez que a Medicina da IMED foi estruturada para formar médicos generalistas, éticos, reflexivos e humanizados, com uma forte visão social e com capacidade de se inserir plenamente no contexto de trabalho médico contemporâneo.
“Os alunos monitores dessa ação tem um desafio, que é o de transmitir o máximo de conhecimento em relação aos temas de mais necessidade levantados pelas agentes comunitárias de saúde, aprimorando os saberes em relação a esse público, tendo como principal foco os indicadores de saúde da comunidade. Então, foram desenvolvidas três oficinas sobre os temas da gestação, hipertensão e diabetes, que são alguns dos assuntos mais latentes na rotina do serviço prestado pelas agentes comunitárias de saúde de Passo Fundo. Além disso, essas oficinas buscam reforçar a importância das agentes comunitárias de saúde para o levantamento de indicadores que irão favorecer o direcionamento, tanto de investimentos, quanto de ações de saúde para a população, sendo de extrema relevância o aprimoramento de conhecimentos e a alimentação de indicadores de saúde do município para que realidades possam ser efetivamente impactadas”, frisa o professor Gustavo Cavalcante, docente da Disciplina de Saúde Coletiva e um dos mentores da iniciativa.
O professor Leodinei Lodi, que viabilizou a realização das oficinas junto da Secretaria de Saúde, do Setor de Extensão da IMED e dos demais professores e alunos, pontua que uma das funções de uma instituição de ensino é promover a extensão, tendo um compromisso firmado tanto em relação à inserção dos alunos nessa rotina prática real, quanto em relação à contribuição com o poder público.
“Esse convênio de ensino e serviço em que as instituições de ensino superior se comprometem a estarem atuando no território em que estão inseridas, seja na atuação dos alunos em estágios, seja na capacitação de profissionais como os agentes comunitários, é um reflexo de que estamos avançando com relação a esse contrato de ensino e serviço. Fazendo uma ação conjunta com a atividade de extensão das disciplinas de Saúde Coletiva, temos uma curricularização da extensão, que chega até a comunidade por meio dessas capacitações com as agentes de saúde, trazendo para elas meios de resolução de problemas. Estamos muito felizes por proporcionar esse momento de construção de conhecimento, capacitando trabalhadores da área para a captação de indicadores importantes para o município, pactuados com a coleta de informações que irão gerar impacto nas ações de saúde pública, e também por conseguir unir a extensão com o sistema de saúde local”, destaca o docente.
Equipe de trabalho
Integraram a equipe de trabalho os professores da IMED, Gustavo Nascimento Cavalcanti, Leodinei Lodi e Vanessa Sebem, juntamente dos alunos monitores Ana Clara Toldo, Karla Scorsatto, Ana Grimm, Maria Luiza Teló, Bruno Florencio e Bárbara Dreyer, ambos acadêmicos do 3º semestre do curso.
Karla comenta que esse movimento é de grande valia, tanto para sua preparação como futura profissional, uma vez que esteve ocupando a posição de professora dentro de uma sala de aula, transmitindo uma série de conhecimentos, quanto para o aprimoramento do trabalho desenvolvido pelas agentes e pela efetividade dos tratamentos e melhoria da saúde da população.
“Estivemos que estar triplamente preparados para explicar de forma ativa os conteúdos para as agentes de saúde, adaptando a linguagem, facilitando o entendimento e passando os conhecimentos para pessoas leigas nos assuntos. Aprendemos muito com essa atuação ativa de produção de conhecimento. Para as agentes comunitárias, tenho certeza de que o momento trouxe muitos aprendizados, pois buscamos instruir elas quanto à parte de fisiopatologia das doenças, e maneiras de como elas podem auxiliar a população a entender a importância de cada mecanismo e como ele acontece, além de ressaltar a importância de realizar os tratamentos corretos, e demais recomendações, como por exemplo, fazer atividade física e manter uma dieta saudável”, aponta.
A aluna ainda pontua que o sucesso do setor da saúde depende do trabalho conjunto realizado por todos as pessoas que reúnem esforços, diariamente, para a melhoria da qualidade de vida da população.
“É determinante que a gente trate a saúde de forma constante, mas também que trabalhemos ela de forma agregada, com diversos profissionais. Eu entendo que, futuramente, como médica, ao recomendar um tratamento para o meu paciente, eu gostaria de saber que ele vai ter um acompanhamento mais próximo por uma agente comunitária, para que o que fosse passado tivesse efetividade. Por isso, eu acho bem legal conseguirmos ter essa conversa com elas, mostrando que para o médico é fundamental o papel que elas desempenham na comunidade. Isso porque o médico vê o paciente semestralmente ou anualmente, e já as agentes de saúde estão presentes no dia a dia da comunidade, acompanhando a rotina dentro da casa das pessoas, e elas são as transmissoras de conhecimentos dentro dessa rotina. É imprescindível nós, como alunos de Medicina, também entendermos a importância de cada profissional dentro dessa cadeia, respeitando e entendendo que cada um desempenha um papel de extrema relevância para que o sistema de saúde funcione de uma forma equilibrada e sinérgica, garantindo a efetividade a partir da contribuição do trabalho de cada um”, acrescenta a estudante.
As capacitações irão ocorrer mensalmente até o mês de novembro, onde serão tratados assuntos como saúde mental, saúde bucal, zoonoses, entre outras necessidades da comunidade.