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Geral

IBGE aponta que até 40% dos trabalhadores de Passo Fundo e região atuam em aplicativos para diversos serviços

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O avanço das plataformas digitais no mercado de trabalho brasileiro é acompanhado pelo IBGE por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que tem incorporado novas formas de ocupação, como os aplicativos de transporte, entrega e serviços. Passo Fundo, por ser polo regional e concentrar a maior população da área de abrangência do IBGE no Norte gaúcho, aparece com destaque nesse cenário.

O coordenador regional do IBGE, Jorge Bilhar, explicou que a pesquisa abrange cerca de 30 municípios, somando mais de 400 mil habitantes, com Passo Fundo respondendo por quase 250 mil moradores. Segundo ele, os aplicativos de transporte de passageiros lideram na cidade, seguidos pelas plataformas de alimentação e, em terceiro lugar, pelos serviços gerais. Bilhar informou que o IBGE também observa o início da utilização de plataformas de telemedicina, mas destacou que a expansão depende da infraestrutura tecnológica disponível nas residências.

Conforme os dados coletados, aproximadamente 30% a 40% dos trabalhadores  de Passo Fundo e da região atuam nessas plataformas digitais. Bilhar observou que os rendimentos médios ultrapassam 3 mil reais, valor superior ao do mercado formal em geral, embora variem conforme a atividade e os critérios estabelecidos pelas plataformas, que determinam os valores das corridas ou entregas.

O perfil predominante, segundo o coordenador, é formado por homens com ensino médio completo e ensino superior incompleto. Ele informou que 59% possuem superior incompleto, 16% superior completo, 14% ensino fundamental completo e 9% fundamental incompleto ou sem instrução. Bilhar acrescentou que a informalidade é elevada nesse segmento, com apenas cerca de 13% dos trabalhadores com carteira assinada. Do total, 86% atuam por conta própria, 6% são empregadores com CNPJ e 3,9% empregados sem carteira, enquanto 3,2% têm vínculo formal.

Entre as atividades levantadas, Bilhar citou que 53% estão no transporte de passageiros, incluindo táxis, 29% na entrega de alimentos e produtos e 17% na prestação de serviços profissionais ou gerais. Ele destacou que aplicativos têm ganhado espaço em relação a modelos tradicionais, como os táxis, que hoje representam 13,8%.

O coordenador afirmou que o uso de plataformas digitais acompanha mudanças estruturais provocadas pela tecnologia em diversos setores, como educação, comércio e gestão pública, inclusive com a adoção crescente de videoconferências e treinamento remoto. Para o IBGE, esse movimento representa um novo perfil de trabalho em expansão, com impacto direto nas formas de contratação e na garantia de direitos trabalhistas, especialmente diante do alto índice de informalidade identificado.