Hospital de Clínicas realiza primeiro procedimento de aférese terapêutica
A Agência Transfusional do Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo realizou no mês de outubro a primeira aférese terapêutica da instituição.
Este procedimento é realizado através da Hemorrede Gaúcha e teve sua oferta ampliada, passando a atender também pacientes portadores de doenças hematológicas, neurológicas, reumatológicas e nefrológicas. Ele é coordenado pela hemoterapeuta do Hospital de Clínicas, Dra. Denise Ramos de Almeida.
O médico neurologista do HC, Daniel Lima Varela integra o grupo responsável pela implementação deste protocolo na instituição e explica como o procedimento é realizado.
A aférese terapêutica envolve a passagem de sangue venoso através de um dispositivo extracorpóreo que separa o sangue em seus componentes (células e plasma), desvia grande parte das células patológicas ou plasma alvo para um recipiente de descarte e retorna a maior parte do sangue restante ao paciente, junto com fluido de reposição e células normais”, explica o médico neurologista, responsável pela primeira paciente na instituição a passar pelo procedimento.
A primeira paciente a ser submetida a plasmaférese no Hospital de Clínicas possui 47 anos e reside na cidade de Frederico Westphalen. O procedimento foi indicado para tratamento da Síndrome de Guillain-Barré.
A síndrome de Guillain Barré consiste em uma polirradiculoneuropatia inflamatória aguda, a qual é caracterizada por perda de força progressiva e ascendente nos quatro membros, diminuição ou ausência dos reflexos profundos, déficits sensitivos variados, além do possível envolvimento dos nervos responsáveis pela fala, deglutição e respiração. Trata-se de uma emergência médica neurológica tempo dependente – quanto mais rápido for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, melhor será o status clínico final do paciente. Os tratamentos disponíveis são a plasmaférese e a imunoglobulina humana”, ressalta Dr. Daniel Varela.
A aférese é realizada através de um processo automatizado, sendo possível a separação dos elementos sanguíneos e a retirada de um destes elementos, seguido da devolução das demais células para o paciente por meio de um acesso venoso.
A aférese terapêutica é um tratamento extracorpóreo que remove seletivamente células anormais ou substâncias no sangue que estão associadas ou causam certos estados de doença. A premissa básica da aférese terapêutica é que, ao remover ou diminuir os níveis de certas substâncias patológicas do plasma, pode ocorrer a prevenção de danos adicionais ou a reversão de um processo patológico em curso. A substância patológica pode ser um autoanticorpo, complexo imune, crioglobulina, cadeias leves de mieloma, endotoxina, lipoproteína contendo colesterol ou outras substâncias”, pontua o neurologista.
O especialista pontua ainda quais são os casos que podem receber indicação para realização do procedimento.
Dentre as doenças neurológicas, a plasmaférese está indicada nas doenças imunomediadas do sistema nervoso central e periférico. Destacaria em especial a síndrome de Guillain Barré, crise miastênica, encefalites auto-imunes, deterioração clínica aguda e grave na esclerose múltipla e doença do espectro da neuromielite óptica”, enfatiza.
O biólogo da Agência Transfusional do Hospital de Clínicas, Vagner Albuquerque explica esclarece o tempo de realização deste procedimento.
É preciso um acesso venoso para que possamos levar o sangue até a máquina e depois trazê-lo de volta ao paciente. Habitualmente, utilizamos cateteres de hemodiálise. As sessões duram, em média, duas horas e podem ser realizadas diariamente ou em dias alternados, dependendo da doença em questão. O tempo total de tratamento também depende da substância plasmática que se pretende filtrar e da resposta clínica do paciente. Em geral, cada tratamento consiste em 5 a 7 sessões de plasmaférese, distribuídas em um intervalo de uma a duas semanas”, finaliza Vagner.