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Geral

Helicoverpa armigera: a nova praga que assusta os produtores

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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A ocorrência de uma nova praga nas lavouras de soja vem preocupando os produtores rurais do norte gaúcho. A lagarta Helicoverpa armigera é temida devido ao seu grande potencial destrutivo. De acordo com o professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo, José Roberto Salvadori, a preocupação decorre do fato de que a lagarta ainda é uma novidade. “É uma praga nova, de uma espécie que não existia no Brasil, que foi constatada recentemente. Por falta de maior conhecimento e informações de como combatê-la é que se estabelece essa preocupação e medo entre os agricultores”, afirma o especialista. Além disso, a lagarta tem um potencial de dano bastante elevado. Então, esses dois fatores é que estabelecem a preocupação.

 

Salvadori lembra que há como combater a praga. Apesar da situação ser nova, já existem algumas informações que estão sendo geradas e obtidas pelas pesquisas e pelas experiências dos assistentes técnicos e dos produtores. “Não é o suficiente, mas já se tem meios para fazer o controle”, afirma. “Quando se fala em impedir o avanço (da lagarta), se fala em impedir danos na safra de soja. Não há como evitar que ela se distribua e continue ocorrendo na região, pois ela já está estabelecida. Daqui para frente vamos ter que conviver com mais uma praga e essa convivência vai ser tanto mais fácil quanto maior for o volume de pesquisa e de conhecimentos que vão sendo gerados e acumulados. À medida que o tempo passa, a gente aprende a conviver melhor com essa novidade”, detalha. Entretanto, conforme o pesquisador, é preciso conviver controlando a praga para que ela não cause grandes danos.

 

Safra 2012/2013 já dava indícios sobre agravamento do problema

 

O professor José Roberto Salvadori lembra que tudo começou há pelo menos três anos, quando se percebeu que havia uma lagarta – entre as várias que ocorrem na cultura da soja – diferente, não só do ponto de vista morfológico (da aparência e cor), mas com relação à dificuldade de controlá-la da maneira como o agricultor estava acostumado a fazer com as outras lagartas. 

 

“As percepções iniciaram e evoluíram de tal forma que na safra 2012/2013 de soja, na época de novembro, o problema ficou mais evidente no Rio Grande do Sul, e se agravou na medida em que o que eram algumas queixas isoladas começaram a se tornar mais frequentes e mais distribuídas no norte gaúcho. A partir disso, coletamos algumas centenas de lagartas e partimos para o estudo, com o objetivo de identificar a espécie e catalogar para ver se era um novo problema ou não”, relembra.

 

O professor explica que, naquela época já se tinha conhecimento de que no Cerrado brasileiro, no oeste da Bahia, próximo à Brasília, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão, estava ocorrendo a presença de uma lagarta diferente, a qual, naquele momento, foi colocada sob suspeita  de que poderia ser a lagarta da maçã do algodoeiro. “Naquele momento se supôs que essa lagarta teria se adaptado à cultura da soja e estava sendo um problema para essa cultura”, detalha. “As lagartas foram estudadas com vistas a se saber se era a do algodoeiro. Depois do estudo – que não é coisa muito simples de fazer, já que os adultos são parecidos uns com os outros – finalmente conseguimos afirmar, com fundamentação científica, que no RS havia uma lagarta que já tinha sido identificada em outros locais: a helicoverpa armigera”, afirma.

 

Prejuízos bilionários

 

Na safra 2012/2013, os prejuízos causados por esta lagarta à agricultura brasileira teriam atingido R$ 10 bilhões. No mundo,estima-se que US$ 5 bilhões sejam os custos anuais com controle e perdas de produção decorrentes da lagarta Helicoverpa armigera. Cerca de 50% dos inseticidas utilizados na China e na Índia são para o controle desta praga. 

 

Esta lagarta, além de se alimentar de inúmeras espécies de plantas, tem preferência pelos órgãos reprodutivos das mesmas, como frutos, legumes, grãos etc. Todavia, na ausência destes, alimenta-se vorazmente de folhas. Na soja, pode atacar os brotos e folhas das plântulas logo após sua emergência e, depois, folhas, vagens e grãos até muito próximo da colheita. 

 

Helicoverpa armígera é uma praga que preocupa as autoridades fitossanitárias e vem tirando o sono dos produtores, principalmente de soja, milho, algodão e feijão. Ela ataca também cerca de 100 espécies, como tomate, pimentão e laranja. A lagarta tem um rápido desenvolvimento e, em 30 dias, passa de ovo a adulto. A partir daí, sem discriminação e insaciável, ela ataca tudo que vem pela frente.

 

 

 Monitoramento é regra contra a lagarta

 

Ainda não se sabe se a severidade da praga no estado gaúcho vai atingir os mesmos níveis que ocorrem nos Cerrados, pois as condições climáticas e os modelos de sucessão de culturas são diferentes nessas regiões.  Por esta razão, os pesquisadores recomendam que o problema seja encarado com cautela, mas sem pânico, precipitação ou sensacionalismo. Eles insistem que o monitoramento deve ser constante e cuidadoso para constatar possíveis infestações da praga logo no início e então poder adotar as medidas de controle adequadas e no momento certo. Para tanto, o acompanhamento da existência de ovos e de lagartas deve ser feito por meio do exame visual, diretamente sobre as plantas.

 

A presença de mariposas nas lavouras pode ser diagnosticada pelo uso de armadilhas de feromônio sintético, já legalizado para uso e disponível no comércio nacional. O feromônio é uma substância volátil produzida pelos insetos com vistas à atração sexual, que é usado como atraente em armadilhas de captura. Na presente safra, a ocorrência de ovos e de lagartas de Helicoverpa já foi registrada. Na dúvida, os produtores devem procurar a assistência técnica para que possam ser orientados. Diversas iniciativas para treinamento da assistência técnica já estão ocorrendo, tanto por parte de empresas públicas como da iniciativa privada. 

 

De acordo com a Embrapa, a campo é quase impossível identificar a helicoverpa armigera e separá-la da subespécie zea. Apenas exames laboratoriais têm condições de diferenciá-las, pois requer conhecimentos muito específicos de suas estruturas reprodutivas.  A alternativa é apostar no manejo integrado de pragas com monitoramento e envio das informações coletas para laboratórios.