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Saúde

HC 110 anos: instituição supera desafios e se consolida como uma das referências em saúde no Estado

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

No próximo dia 20 de julho, o Hospital de Clínicas de Passo Fundo- HC completa 110 anos. O HC foi a primeira instituição médico-hospitalar de Passo Fundo, criada em 1914 por um grupo de passo-fundenses que tinham o objetivo de facilitar o acesso à saúde nesta cidade, já que naquela época era necessário percorrer grandes distâncias em busca de tratamento.

A primeira instalação do HC, em 1918, foi construída para atender pacientes durante a Epidemia de Gripe Espanhola. O primeiro edifício do HC foi construído com a ajuda da comunidade e inaugurado em 1920. Desde então, o HC expandiu sua estrutura para atendimento a uma população de mais de 1 milhão de pessoas, correspondentes a quatro Coordenadorias Regionais de Saúde.

Ao longo de sua trajetória, a instituição teve diversos desafios, mas hoje é uma referência no Estado, com inovações e obras estruturais em andamento. Para falar deste momento importante, a Uirapuru recebeu em seus estúdios o Administrador do HC, Luciney Bohrer. O administrador destacou que os últimos 10 anos foram de maior materialização do crescimento, fruto de uma construção que se desenvolveu ao longo dos anos. Lembrou que há 30 anos o HC estava para fechar, diante de uma grande crise. Médicos e diretores faziam vaquinha para comprar medicamentos aos pacientes.

Disse que um dos fundadores da Uirapuru, o Dr. Bruno Markus, foi um dos que emprestaram dinheiro para o hospital, pois os bancos não davam crédito. A nova gestão procurou as instituições, aumentaram o crédito de suas contas para sustentar a instituição. Hoje, o momento é outro e a motivação do grupo, com apoio da comunidade, levou a instituição a um momento de sucesso. Avaliou que a pandemia, em 2020, foi um dos maiores desafios da instituição. Lembrou que foi um período em que os profissionais se colocaram de pé diante de um inimigo desconhecido, com coragem e profissionalismo.

Disse ainda que hoje a entidade oferece uma estrutura física de nível convenio para pacientes do SUS. Esta estrutura faz parte das novas construções e estará disponível neste final de ano. Serão quartos climatizados, com uma série de equipamentos especiais, atendendo à comunidade via SUS. Destacou que o HC entrou nos últimos anos na era da robótica, com equipamentos de ponta e cirurgias tão precisas que nenhum ser humano poderia realizar por métodos tradicionais. A era da robótica é o futuro, mas sempre apoiada por profissionais competentes que guiam essas máquinas.Reiterou que este novo momento, aos 110 anos, acontece como resultado de um esforço múltiplo existente há anos.

 

Desafios financeiros

As receitas financeiras são um dos grandes desafios das instituições de saúde atuais. Com a população cada vez mais idosa, o atendimento aumenta e, com ele, também os gastos dessas entidades. Um levantamento recente revelou que 13 hospitais no Rio Grande do Sul acumularam um prejuízo alarmante de R$ 37,2 milhões devido às tabelas de remuneração praticadas pelo IPE Saúde. Entre os mais afetados estão o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) e o Hospital de Clínicas (HC), que têm absorvido os custos adicionais para atender pacientes do IPE.

Os impactos desta situação foram abordados também na mais recente entrevista com o Administrador do HC, Luciney Bohrer, na Uirapuru. O administrador disse que hoje o HC está com as contas em dia, mas há dificuldades de caixa. A entidade busca outras formas de aumentar a entrada de recursos. Nas novas obras, foi criada uma garagem que gera renda mensal utilizada em todo o sistema, por exemplo. Disse que hoje há um novo cenário na economia da saúde, com uma inflação medida pelo governo maior e planos de saúde com dificuldade em manter receitas e compromissos. O resultado é um aperto de margens.

Explicou que o IPE mudou o modelo de remuneração com prestadores e disse acreditar que o Governo do Estado vai convocar uma discussão sobre custos e valores pagos. Citou o caso de um medicamento que o Hospital HC compra por R$ 22 mil, mas o IPE paga apenas R$ 19 mil. Para o administrador, o grande desafio é aumentar a receita para cobrir esses déficits sem deixar de atender os pacientes.