Guerra tarifária dos EUA pode beneficiar exportações gaúchas, mas infraestrutura precária pode ser obstáculo
A recente escalada nas disputas comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros, como China, México e Canadá, tem gerado desdobramentos que podem impactar diretamente o agronegócio gaúcho. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre a importação de diversos produtos levaram esses países a adotarem medidas de retaliação, abrindo espaço para novos fornecedores no mercado global.
Nesse cenário, produtos como soja, carne, milho e arroz do Rio Grande do Sul podem ganhar competitividade e encontrar novas oportunidades de exportação. Em entrevista a Rádio Uirapuru, o cerealista Emeri Tonial afirmou que essas disputas comerciais podem garantir novos mercados hoje não explorados para os produtores brasileiros. De acordo com Tonial, mesmo com a possibilidade de conquistar novos mercados, o Brasil enfrenta desafios estruturais que podem limitar o crescimento das exportações.
A precariedade dos portos e da infraestrutura logística do país ainda é um entrave significativo, tornando o escoamento da produção mais caro e menos eficiente em comparação com concorrentes globais. Outro ponto destacado pelo cerealista que a a dinâmica do mercado internacional é influenciada pela Bolsa de Chicago, que dita os preços do mercado. Se os Estados Unidos reduzirem suas vendas em determinados segmentos, a tendência é que os valores caiam, o que pode afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.
Tonial ainda destacou que no agronegócio, as tarifas impactarão menos que em outros setores, que possuem uma substituição mais complicada. Produtos que dependem de tecnologias avançadas, a no comércio global não ocorre com a mesma facilidade das commodities agrícolas. Setores que exigem inovação e alta especialização podem ter mais dificuldades em ocupar os espaços deixados pelas disputas comerciais.