Guerra no Oriente Médio pode impactar economia global, mas efeitos no Brasil ainda são incertos
O conflito no Oriente Médio ganhou uma nova dimensão após os ataques aéreos lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, em uma operação militar de grande escala que matou líderes iranianos e desencadeou uma série de retaliações na região. Desde o final de fevereiro de 2026, forças americanas e israelenses vêm realizando dezenas de ataques contra alvos militares iranianos, enquanto Teerã responde com lançamentos de mísseis e drones contra posições israelenses e bases com presença de tropas dos EUA em países como Bahrein, Kuwait e Catar, aumentando o temor de um conflito mais amplo em toda a região.
A escalada já provocou alertas de evacuação de cidadãos estrangeiros, fechamento de espaços aéreos e preocupação com a estabilidade política e econômica global, especialmente no setor energético. Para avaliar os impactos que a guerra pode representar para a economia local, a reportagem da Rádio Uirapuru conversou com a economista Cleide Moretto.
Segundo ela, guerras envolvem não apenas questões militares, mas também interesses políticos e econômicos. As economias giram em torno da produção e do comércio, porém disputas de poder e domínio estratégico, especialmente em regiões com forte presença no mercado de energia, acabam influenciando decisões e posicionamentos internacionais. A especialista destaca que a própria postura dos Estados Unidos em assumir protagonismo no conflito também carrega motivações econômicas.
Em relação ao Brasil, a economista explica que, no curto prazo, não é possível identificar um impacto direto significativo. As relações comerciais tendem a se manter estáveis inicialmente, embora no longo prazo possam surgir reflexos, principalmente se houver agravamento da guerra. Ela ressalta que os países mais afetados tendem a ser aqueles geograficamente mais próximos do conflito e as economias mais dependentes de petróleo e energia importada.
Sobre o preço dos combustíveis, Cleide Moretto afirma que a tendência global, em caso de prolongamento da guerra, é de alta no valor do petróleo, o que pode pressionar a inflação em diversas regiões do mundo, como já sinalizado por países da Europa. No entanto, no caso do Brasil, o impacto tende a ser menor, já que o país possui produção própria e menor dependência externa do recurso. Neste momento, segundo ela, não há elementos concretos que indiquem aumento imediato no preço interno da gasolina ou do diesel. A economista reforça que conflitos dessa magnitude sempre trazem incertezas, tanto do ponto de vista humanitário quanto econômico, e que o desfecho dependerá das decisões políticas e diplomáticas adotadas nos próximos dias.