Grupo de Teatro Ritornelo: cinco anos de histórias e estradas
Eles nasceram da saudade. Cresceram no anseio. Confirmaram seu talento no palco e na rua. Talento esse que uniu Miraldi Junior e Guto Pasini através da saudade de um grupo que por muito tempo levou teatro aos bairros da cidade e que acabou. A união do talento e da saudade deu início a um tempo de anseios por um novo trabalho, novas histórias, novas vozes. Hoje, cinco anos depois do início do Grupo Ritornelo de Teatro, a dupla comemora parcerias que deram certo e se concretizam em três peças montadas que são apresentadas por toda a cidade e região: O Menino do Dedo Verde, Faixa de Graça e Zé Vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina são a certeza de que palco, rua ou praça estão abertos para aqueles que acreditam nos anseios que carregam, na saudade que os guia e no talento que se concretiza a cada sorriso.
Cinco anos de histórias
E é no palco que os cinco primeiros anos do Grupo Ritornelo serão comemorados: Zé Vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina será apresentado no Teatro Múcio de Castro neste domingo, 11, a partir das 16h no Teatro Múcio de Castro. Para Miraldi e Pasini a data é uma lembrança de um caminho que ainda será construído. “Temos a visão de que estamos apenas começando a fazer aquilo que acreditamos dentro da linguagem teatral que vivemos”, iniciam.
Para Miraldi, o fim do Viramundos – grupo de teatro ligado à Universidade de Passo Fundo e que reunia grande parte dos atores da cidade em espetáculos de rua e que encerrou as atividades em 2008 – foi o pontapé inicial de uma história baseada na crença e na adaptação. “Amadurecemos muito desde o fim do Viramundos. Aprendemos a produzir, a resistir e a fazer aquilo que acreditamos sem medo de críticas”, comenta. “Isso faz o trabalho ficar mais leve e divertido. Acho que o público percebe isso nos espetáculos”, acrescenta. Ele explica, também, que o amadurecimento envolveu, também, o diálogo com os novos grupos que, assim como eles, se formaram. “Aprendemos a respeitar as diferenças. Antigamente achávamos que só nossa linguagem teatral era a certa, hoje dialogamos com os grupos da Upac e está muito bom esse contato com os grupos. Podemos ver que apesar das diferenças temos os mesmos anseios e as mesmas dificuldades”, opina.
Essas dificuldades, no entanto, não impedem o grupo de apostar em temas por vezes polêmicos para encarar o palco. “Nossas montagens procuram dialogar com o público seja sobre o meio ambiente, seja sobre cidadania ou política”. E é por causa da verdade com que falam com o público que a história do Ritornelo se constrói. “Temos tantas histórias para contar… Já tivemos que desmontar tudo debaixo de chuva de granizo até fritar deitado no calor do asfalto. Mas as melhores histórias estão nos amigos que fizemos por todo o Brasil através do teatro, dos momentos que vivemos juntos e nunca se apagam da memória. Estamos felizes e isso é o que mais importa”, comentam.
Zé Vagão da Roda Fina
Felicidade é o que define o momento do grupo. Depois de uma temporada longa com O Menino do Dedo Verde, Faixa de Graça e Zé Vagão da Roda Fina… ganham espaço nas atividades do Ritornelo: enquanto Faixa de Graça segue sendo apresentado nos bairros da cidade e nas praças da região, Zé Vagão ganha o palco do Teatro Múcio de Castro nesse final de semana em comemoração aos cinco anos do grupo.
Junto com a chegada de um novo filho, chegam, também, as preocupações. Conforme ele cresce, as preocupações parecem escolher crescer junto. Como provar que o caminho escolhido pelos pais é o melhor para o filho trilhar? Como entender que esse filho necessita de um novo trilho para percorrer? Como aceitar que os pais têm, sim, razão? Como conciliar pensamentos daqueles que cuidam com os daqueles que são cuidados? Assim, entre escolhas, questionamentos e caminhos, é que se desenvolve o espetáculo. Zé Vagão da Roda Fina e sua Mãe Leopoldina, que estreou em abril desse ano, conta a história de uma família de locomotivas.
Em cena, três personagens se desenvolvem e apresentam um roteiro. De um lado, uma mãe que busca, a todo custo, manter o filho em um caminho correto, em um trilho já conhecido e percorrido por ela. Do outro, um filho em busca de autonomia para trilhar o próprio caminho. Entre eles a Bruxa Jubilosa, personagem que passeia e contrasta entre mãe e filho .“O caminho da história modifica os próprios personagens e torna tudo mais imaginativo”, avalia a diretora Adriane Mottola, da Cia. Stravaganza de Porto Alegre. Para ela, o trabalho do ator é capaz de dar vida a um universo que, antes, só existia no papel. Espetáculo criado especialmente para as crianças, a história de Zé Vagão é capaz de chegar aos pais com traços claros da cultura brasileira.
Zé Vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina
Teatro Múcio de Castro
11 de outubro, 16h
História em datas
12 de maio de 2000
Grupo Viramundos estreia o espetáculo O ferreiro e a morte
19 de junho de 2002
Grupo Viramundos estreia o espetáculo O Parturião
15 de abril de 2004
Grupo Viramundos estreia o espetáculo Timbre de Galo
7 de julho de 2005
Grupo Viramundos estreia o espetáculo Fantoches.
30 de maio de 2007
Grupo Viramundos estreia o espetáculo TillEulenspieguel
22 julho de 2008
Grupo Viramundos encerra as atividades
12 de outubro de 2010
Grupo Ritornelo começa o trabalho de pesquisa e montagem de um novo espetáculo
5 de agosto de 2011
Grupo Ritornelo estreia o espetáculo O menino do Dedo Verde
26 de abril de 2014
Grupo Ritornelo estreia o espetáculo Faixa de Graça
18 de abril de 2015
Grupo Ritornelo estreia o espetáculo Zé Vagão da Roda Fina e sua Mãe Leopoldina