Grupo de Pele do HSVP realiza 90 atendimentos por mês
O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo preconiza um atendimento qualificado e multidisciplinar que possibilite ao paciente restabelecer sua saúde e melhorar a qualidade de vida. É com estes princípios que o Grupo de Pele da instituição atua desde 2008, no Ambulatório de Especialidades (SUS) do HSVP.
Com uma média de 90 atendimentos por mês, distribuídos em quatro turnos semanais, sendo que são atendidos em torno de seis pacientes por turno, o Grupo de Pele realiza um trabalho de grande resolutividade no tratamento de feridas dos pacientes egressos do HSVP. Segundo o enfermeiro Michael Vieira do Amarante, coordenador do grupo, os pacientes atendidos são provenientes de diversos municípios e, alguns que não são egressos do hospital, recebem encaminhamento via Secretaria Municipal de Saúde. O tempo médio de espera pelo atendimento é de 15 dias.
Quanto ao tratamento de lesões, Amarante explica que o paciente com feridas requer um atendimento sistêmico, visto que na primeira consulta realiza-se uma esmiuçada avaliação sobre o paciente, seguido de um longo tratamento. “O processo cicatricial é lento e multifatorial, uma vez que depende de tratamento adequado e envolvimento do paciente com o cuidado da ferida. Nós vemos o paciente como um todo, criamos vínculo com ele”.
Os bons resultados colhidos pelo grupo referenciam o trabalho para outros profissionais. “Hoje, vários médicos encaminham pacientes que necessitam tratar as lesões de pele. Nós também encaminhamos pacientes para médicos e outros profissionais”, relata o enfermeiro, ao salientar que recentemente um paciente com lesão oncológica, que iniciou o tratamento no ambulatório em junho deste ano, já recebeu alta no dia 14 de outubro, antes do período previsto. “Sabemos que o tratamento é a longo prazo e que não existe produto ideal, pois tratamos a lesão conforme ela se apresenta, mas quando há um vínculo de confiança no nosso trabalho é fenomenal. Para nós a alta é uma conquista”.
Entre as premissas do Grupo de Pele, Amarante evidencia que os diversos profissionais da saúde que atuam no grupo estudam, discutem casos, aprimoram técnicas e propagam conhecimento através de treinamentos internos e externos. Um exemplo de espaço propício para a troca de conhecimentos é o Simpósio de Prevenção e Tratamento de Lesões Cutâneas, evento bianual promovido pelo grupo, e que reúne profissionais de diversas áreas da saúde.
Neste sentido, a enfermeira e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Neida Pellenz, que palestrou no 2º Simpósio de Prevenção e Tratamento de Lesões Cutâneas, realizado neste ano, enalteceu que “é um ganho para Passo Fundo ter o ambulatório do Grupo de Pele, aonde se estabelece uma relação de confiança para fazer o retorno deste paciente e seu familiar”. Neida ainda enfatizou que hoje, não se pode permitir que a lesão fique no ciclo de abrir e fechar. “Isso ocorre porque há falha de comunicação, de aceitação ou de como fazer bem feito, se não estiver todo mundo integrado”.
Para que a interação aconteça, a enfermeira enaltece que a humanização do atendimento deve permear a relação do profissional de saúde com o paciente que tem lesão. Neida comenta que muitas vezes é dado um descaso em razão de que esta pessoa já convive com a lesão há bastante tempo, mas que o profissional, seja enfermeiro, médico, técnico de enfermagem, deve interagir com quem vai ser cuidado e com o cuidador, quem dará continuidade aos curativos em casa.
Relação de confiança que faz bem
Nair Fagundes Freitas, 64 anos, moradora do bairro Vera Cruz, é uma das pacientes atendidas pelo Grupo de Pele do HSVP. Ela vem ao ambulatório semanalmente para fazer seu curativo e receber as orientações dos profissionais. Amarante relata que o caso refere-se à úlcera vascular, muitas vezes causada pela falta de oxigênio nos tecidos. Acompanhada pelo marido, Nair está satisfeita com o atendimento do grupo, porque sente-se a cada dia melhor e a lesão está evoluindo bem.