Golpe do falso advogado já fez centenas de vítimas em apenas três meses em Passo Fundo
O número de casos de estelionato na modalidade do “falso advogado” acendeu um alerta na Polícia Civil em Passo Fundo. Somente na área de atuação da 2ª Delegacia de Polícia Distrital, mais de 100 vítimas já foram registradas em 2026.
A informação foi confirmada pela delegada Carolina Goulart, titular da 2ª DP. Segundo ela, o golpe é hoje o que mais tem feito vítimas na cidade e também vem sendo registrado em todo o Rio Grande do Sul.
De acordo com a delegada, os criminosos utilizam informações reais de processos judiciais para enganar as vítimas. Eles se passam por advogados ou funcionários de escritórios e entram em contato, principalmente por WhatsApp, informando que a pessoa tem valores a receber na Justiça.
A partir disso, os golpistas alegam que é necessário o pagamento de uma suposta taxa para liberação do dinheiro. Os valores solicitados costumam ser menores, geralmente entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, justamente para facilitar que a vítima realize o pagamento sem levantar suspeitas.
Outro ponto que chama a atenção da Polícia Civil é o nível de detalhamento das informações utilizadas pelos criminosos. Conforme a delegada, os dados são verdadeiros, o que aumenta a credibilidade do golpe e dificulta a identificação imediata da fraude.
Somente na área da 2ª DP, que abrange a região abaixo da Avenida Brasil, sentido ao município de Pontão, já foram contabilizadas mais de 100 ocorrências em cerca de três meses, o que representa uma média de 30 a 40 vítimas por mês. A polícia acredita que o número real seja ainda maior devido à subnotificação, já que muitas vítimas não registram ocorrência.
A investigação para identificar os autores é considerada complexa. A Polícia Civil trabalha na análise de dados, como números de telefone e contas utilizadas, em busca de conexões entre os casos. Há indícios de que os criminosos possam atuar em grupos organizados e até fora do município.
A principal orientação da polícia é para que a população desconfie de qualquer cobrança vinculada à liberação de valores judiciais. Nenhum pagamento deve ser feito sem a confirmação direta com o advogado responsável pelo processo.
A Polícia Civil reforça que, ao receber esse tipo de contato, a pessoa deve manter a calma, não realizar transferências imediatas e procurar o escritório de advocacia para verificar a veracidade da informação.