Funai esclarece papel na mediação de conflitos entre índios e ausência na operação realizada em Charrua
Na última terça-feira (12), a Polícia Federal e a Brigada Militar realizaram uma operação na Reserva Indígena do Ligeiro, no interior do município de Charrua. Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
A ação foi motivada devido a um conflito entre dois grupos de indígenas, que já durava um mês. Nesse período foram registrados tiroteios, tentativas de homicídios e residências destruídas por incêndios criminosos.
Após a operação, muitos questionaram sobre a ausência da Fundação Nacional dos Índios (Funai) na ocasião.
O coordenador substituto da Funai de Passo Fundo, Rafael Ávila, procurou a Uirapuru para esclarecer o fato. Contou que a Funai não foi convidada ou se quer sabia da operação. Mesmo se tivesse sido chamada, provavelmente não iria porque o momento era da autoridade policial.
Frisou que a participação da Funai vai até enquanto há uma solução de mediação. Explicou que, desde o início do conflito, o órgão tentou mediar os dois grupos. Foram mais de dez reuniões com os indígenas, com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal de Erechim. Tudo para conseguir uma solução pacífica, que contemplasse os dois lados, mas, infelizmente, isso não aconteceu.
Rafael ressaltou que desde a Constituição de 1988 não existe a tutela do Estado sob os povos indígenas, a não ser em casos específicos de populações isoladas, mas essa não é a realidade do Estado. Com isso, a Funai não tem o poder de dizer aos índios o que eles podem ou não fazer. À fundação cabe orientar os índios para que haja sempre um entendimento entre eles.