Skip to content

Cidade

Fugindo de conflitos, indígenas organizam aldeia e mudam realidade de terreno próximo da Rodoviária

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Nos fundos da Estação Rodoviária, às margens do Rio Passo Fundo, a imagem retrata uma das comunidades indígenas do município.

No terreno, onde antigamente havia um lixão a céu aberto, hoje há um assentamento, com cerca de 53 índios, divididos em 17 famílias, que, apesar de terem organizado o local, ainda vivem em condições precárias.

Em entrevista exclusiva para a Rádio Uirapuru, o cacique da aldeia Goj Jur, Josemar Mariano, retratou as dificuldades de viver no local.

De acordo com o cacique, eles se instalaram próximo a Rodoviária por iniciativa própria, após um período instalados no km 320 da BR-285, local onde será construída a Penitenciária Feminina de Passo Fundo.

Josemar Mariano declarou que a aldeia saiu de lá após receber uma liminar e, sendo a favor da segurança pública, decidiram não lutar pela área para não atrapalhar as negociações que estão sendo feitas sobre a penitenciária.

No novo local onde estão instalados, os indígenas mudaram a realidade de um terreno que, apesar de ainda não ter as condições adequadas, apresenta-se muito melhor do que era.

Segundo o cacique, quando a aldeia chegou ao local, o terreno era um lixão, triste de ver e, como eles se preocupam com o meio ambiente, priorizaram a melhora dele.

O cacique ressaltou que isso deve-se não só a necessidade das famílias estarem vivendo no local, mas também, por se preocuparem com a natureza, tendo o Rio Passo Fundo como prioridade, já que “Goj Jur” quer dizer “nascente de rio”.

De acordo com Josemar, dentre o que já foi feito, mesmo com todas as dificuldades, está a construção de uma patente improvisada para que nada seja jogado no rio e a instalação de uma caixa d’água de 5 mil litros doada pelo Sesai – Secretaria Especial De Saúde Indígena -, que também é usada para o banho.

O sustento é próprio

Falando com a reportagem, o cacique desmentiu que os índios recebem ajuda do governo e disse que, caso isso fosse verdade, não estariam acampados em situação precária.

Outro assunto abordado por ele, foi a questão das crianças indígenas pedirem dinheiro ou venderem artesanatos em semáforos.

Josemar afirmou que a Secretaria de Cidadania e Assistência Social (Semcas) já foi informada que a principal preocupação da aldeia no momento é procurar sustento para que as crianças não precisem correr riscos no trânsito de Passo Fundo.

Atualmente, a aldeia tira seu sustento de artesanatos e, a cada quatro ou cinco meses, recebem a doação de uma cesta básica da Funai.

Condições

As casas da comunidade são feitas de madeiras vindas de reciclagem ou doadas. Estas madeiras também são usadas no fogão para que a aldeia possa cozinhar.

No local, não há energia elétrica. Apenas um gerador vindo de doação de pessoas que ficaram comovidas com a situação, mas, por não ter condições para comprar combustível, a comunidade acaba ficando a maior parte do tempo no escuro.

O cacique Josemar Mariano declarou que o banho da comunidade poderia ser tomado no Rio Passo Fundo, mas, devido a grande poluição dele, os índios acabam improvisando na caixa d’água.

Indígenas de todos os cantos

Segundo o cacique, estão no local índios de todas as regiões. Nem todos são parentes, mas foram se conhecendo e formaram uma família.

Sobre as tradições, Josemar Mariano explicou que parente não pode casar com parente e as lideranças da aldeia ficam responsáveis de realizar a fiscalização.

Na comunidade, a idade mínima para casar hoje é a mesma do homem branco: 18 anos.

O sonho do índio nunca é ficar perto da cidade…”

De acordo com o cacique, o sonho do índio nunca é ficar perto da cidade, mas sim poder plantar seus alimentos, como milho, feijão, mandioca e batata vivendo sempre ligados a natureza.

Josemar Mariano declarou que o que leva indígenas a condições como as que eles vivem hoje, muitas vezes são as políticas que há em áreas desmatadas, fazendo com que poucos tenham muito e muitos tenham pouco.

Como objetivo, a aldeia Goj Jur quer construir um espaço para colocar as crianças a estudarem dentro da comunidade.

Josemar ressaltou que é importante que o índio conviva em harmonia com a sociedade, mas, primeiro, os filhos precisam ser preparados dentro da aldeia.

Chegada de novos indígenas

O cacique Josemar Mariano declarou que a chegada de novos indígenas no local está sendo conversada com a Funai para que haja um controle, já que as 17 famílias que estão lá são o suficiente, devido as poucas condições disponíveis.

A comunidade está instalada no local há um ano e quatro meses, sendo que a Funai visita eles de vez em quando, algo que os indígenas solicitaram que aumente.

Pedido de ajuda

Com a preocupação de não deixar crianças pedirem esmola ou passarem frio, o cacique Josemar Mariano pediu a ajuda da comunidade.

Segundo ele, a aldeia Goj Jur precisa de alimentos, roupas, cobertores e agasalhos, principalmente infantis, além de calçados e alimentos não perecíveis.

Quem estiver interessado em ajudar a aldeia, pode visitá-los nos fundos da Estação Rodoviária, às margens do Rio Passo Fundo, e realizar as doações.