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Expodireto

Fórum Estadual do Trigo debate futuro da cultura e mercado de biocombustíveis

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A cadeia produtiva do trigo e as perspectivas para os próximos anos foram tema de debate durante a programação da Expodireto Cotrijal. A Rádio Uirapuru acompanhou as atividades diretamente do parque da feira, em Não-Me-Toque, onde foi realizado o Fórum do Trigo nesta quarta-feira. Durante a cobertura, o vice-presidente de operações da Be8, Leandro Zat, falou sobre o cenário atual da cultura e as perspectivas de novos investimentos ligados aos biocombustíveis.

Segundo Leandro Zat, ao longo dos últimos anos houve redução na área destinada ao cultivo do trigo no país. Mesmo com esse movimento, a empresa avalia que o cereal volta a ganhar relevância diante do avanço da produção de biocombustíveis no Brasil. Ele explicou que, após a consolidação do etanol de milho na região Centro-Oeste, a companhia pretende iniciar no próximo ano a produção de etanol a partir do trigo. A iniciativa também prevê a produção de glúten vital, produto utilizado como melhorador de farinhas e concentrado de proteína para a indústria alimentícia.

Zat afirmou que a nova planta industrial deverá ter capacidade de processamento de cerca de 525 mil toneladas por ano, utilizando trigo produzido na região. Conforme ele, o objetivo é ampliar as alternativas de comercialização para os produtores, que atualmente têm como principais compradores os moinhos e o mercado externo. A expectativa da empresa é contribuir para a geração de valor na cadeia produtiva e estimular um novo ecossistema econômico ligado ao trigo.

Ao comentar o cenário da produção, o vice-presidente informou que, no ano passado, o Rio Grande do Sul registrou área plantada próxima de 1,1 milhão de hectares. Para a próxima safra, há expectativa de leve redução, embora os números ainda não estejam consolidados. Ele ressaltou que fatores internacionais, como conflitos geopolíticos e oscilações no mercado de fertilizantes e combustíveis, podem influenciar os custos de produção.

Zat também destacou o papel estratégico dos biocombustíveis para a segurança energética e para a valorização das commodities agrícolas. Segundo ele, programas que ampliam a mistura de combustíveis renováveis, como o biodiesel no diesel e o etanol na gasolina, ajudam a reduzir a dependência externa e fortalecem a demanda por matérias-primas agrícolas.

Na avaliação do dirigente, ampliar a diversificação de culturas é um passo importante para aumentar a rentabilidade no campo. Ele observou que regiões produtoras como Mato Grosso e Paraná trabalham com duas ou três safras por ano, enquanto parte dos produtores do Sul ainda depende fortemente da safra de verão. Para Zat, a ampliação do cultivo de trigo pode contribuir para formar sistemas produtivos mais equilibrados e com maior geração de renda nas propriedades rurais.