“Foram dois anos de dor”: mãe comenta prisão de homem acusado de crime contra adolescente em Passo Fundo
A Polícia Civil de Passo Fundo efetuou, na tarde desta sexta-feira, 27 de junho, a prisão preventiva de um homem de 30 anos investigado por crimes contra criança e adolescente. Ele já havia sido preso no início da semana, após cumprimento de mandado de busca e apreensão que resultou na apreensão de mais de 500 arquivos com conteúdo ilegal envolvendo menores de idade. A nova prisão ocorreu após solicitação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que também requereu o reconhecimento de flagrante.
Em entrevista exclusiva ao jornalista Leandro Vesoloski, da Rádio Uirapuru, a mãe da vítima, uma adolescente que hoje tem 15 anos, falou sobre os impactos que o caso causou na família. Segundo ela, o primeiro contato entre o investigado e a adolescente ocorreu pela internet, quando a menina tinha apenas 13 anos. Ele se apresentou com nome falso e idade reduzida.
“Eles se conheceram pela internet, começaram a conversar e depois chegaram a se encontrar. Foi só aí que ela descobriu que ele era muito mais velho”, relatou a mãe. “Mas ela já tinha mandado coisas para ele, e até hoje a gente não sabe exatamente o que foi.”
A mãe contou que as mudanças no comportamento da filha começaram logo após esse período. “Ela era doce, tranquila, mas passou a se isolar, ficou agressiva, e começou a se automutilar. Percebemos isso pelos lençóis com sangue. Foi desesperador.”
Ao descobrir o que estava acontecendo, a família contratou um detetive particular. “Minha filha achava que ele tinha 18 anos. O nome que ele usava era falso. Só conseguimos descobrir a verdade porque fomos atrás.”
Mesmo após o fim do contato digital, o investigado teria localizado o endereço da família. “Ele começou a deixar comprimidos e objetos na caixa de correio. A gente já não dormia mais direito.”
A mãe afirma que toda a família foi abalada psicologicamente. “Tinha dias em que eu só chorava. Foi um transtorno que não tem reparação. Esperamos agora que a Justiça siga firme e que ele cumpra a pena no presídio, não em liberdade.”
Ela também fez um alerta a outros pais: “Mesmo que os filhos gritem ou não queiram falar, não dá para se calar. Tem que investigar. Ir atrás. Porque pode já estar acontecendo algo e os pais nem imaginam.”
O homem permanece recolhido no Presídio Regional de Passo Fundo. A Polícia Civil segue com as investigações, inclusive apurando se há outras possíveis vítimas.