Fim do El Niño: agora atenção no clima é com mudanças que podem ser ocasionadas pelo La Niña
O El Niño mais forte em quase 20 anos, que danificou a produção das lavouras na Ásia e causou escassez de alimentos, acabou, informou nesta terça-feira o Centro de Meteorologia Australiano. O fenômeno causou profundo impacto no clima do planeta ao longo dos últimos meses. No Rio Grande do Sul foi responsável por enchentes e tempestades.
O meteorologista do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da UFPel – CPPMet e doutor em Fitotecnia, Gilberto Diniz, explica que o fenômeno sempre existiu, mas passou a ser mais estudado a partir de um El Niño muito forte registrado em 1982 e 1983 e que, até então, só tinha ocorrido tão forte em 1972.
Segundo ele, a partir do início da década de 80, o avanço tecnológico em relação aos satélites, proporcionou a análise de dados e o monitoramento das variações climátics. O El Niño que se encerra no Rio Grande do Sul, tem uma ligação muito forte com as variações climáticas e sofre influência também da temperatura do Oceano Atlântico na Costa Sul.
A MetSul Meteorologia informa que com o fim do El Niño o cenário que se antecipa para os próximos meses da mesma forma tem riscos no Sul do Brasil. O segundo semestre transcorrerá sob La Niña ou neutralidade no Pacífico.
Sob estas condições, temporais e episódios de chuva volumosa igual podem ocorrer, mas cresce a possibilidade de outros eventos adversos como tornados e granizo na primavera, e períodos de irregularidade ou escassez de chuva no final da primavera e no verão, coincidindo com a safra.