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Polícia

Feminicídios crescem no RS, mas Passo Fundo não registra mortes em 2025, informa delegada

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Rio Grande do Sul registrou aumento de 20% nos crimes de feminicídio no primeiro semestre de 2025, conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP/RS). Enquanto 30 assassinatos de mulheres foram registrados até junho do ano passado, neste ano o número subiu para 36. Apesar da tendência de crescimento no estado, a delegada Rafaela Bier, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Passo Fundo, informou em entrevista à Rádio Uirapuru que o município não teve feminicídios consumados neste período.

De acordo com Rafaela Bier, foi registrada uma tentativa de feminicídio no mês de julho, mas, ainda assim, os índices de violência contra a mulher têm diminuído no município. Ela atribui essa redução ao aumento da instrução das mulheres e ao maior acesso à informação. Segundo a delegada, “as mulheres hoje têm ciência dos seus direitos e procuram as autoridades públicas”. Até a presente data, a DEAM já contabilizou cerca de 1.520 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica e familiar. Além disso, foram efetuadas 65 prisões de agressores e apreendidas 18 armas de fogo, o que, segundo a delegada, demonstra o trabalho contínuo das forças de segurança.

Rafaela Bier destacou a importância do registro de ocorrências e da solicitação de medidas protetivas de urgência. Conforme a delegada, “90% das vítimas de feminicídio no Estado não tinham medidas protetivas, e 76% sequer haviam registrado boletim de ocorrência”. Ela explicou que a medida protetiva é uma ordem judicial que impede o agressor de se aproximar da vítima, incluindo qualquer forma de contato, sob pena de prisão. A delegada reforçou que a denúncia é essencial para interromper o ciclo de violência e prevenir crimes mais graves.

Passo Fundo conta com uma estrutura integrada voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher. Segundo Rafaela Bier, o município dispõe da Delegacia Especializada, Promotoria, Vara e Defensoria Pública voltadas à violência doméstica, além de uma Casa de Acolhimento mantida pelo Poder Executivo. Ela também citou iniciativas do Legislativo, como a criação do banco de empregos para mulheres vítimas de violência, que contribui para a autonomia financeira das vítimas. A delegada ainda destacou o trabalho da Patrulha Maria da Penha, responsável por fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas, e elogiou o papel da Brigada Militar, que atua nos atendimentos emergenciais e no encaminhamento de agressores à Polícia Civil. Ao final, reforçou o pedido de apoio da população: “Disque 180 e denuncie. Temos que lutar contra essa violência”.