Feira do Produtor: há mais de 30 anos movimentando a agricultura familiar de Passo Fundo
Uma tradição saborosa a Feira do Produtor já faz parte da história e da geografia de Passo Fundo. Localizada há 32 anos no Parque da Gare, ela reúne hoje 72 boxes, tocados por famílias que tem na produção do alimento seu meio de vida. De acordo com o presidente da Associação dos Pequenos Produtores, Mércio Michel, são oferecidos aos passo-fundenses, todas as segundas, quartas e sábados, 450 variedades de produtos: “para se ter uma ideia só de alface são mais de 30 variedades”, afirma o presidente, que garante, ainda: “o negócio da lucro”.
Ele revela que por dia de Feira são comercializadas uma média de 2 mil e 400 caixas de produtos frescos. Produtos que chegam à mesa de cerca de 3 mil pessoas, a cada dia de Feira. Com mais de 90% dos produtos vendidos, produzidos na cidade, apenas algumas variedades não favorecidas pelo clima local, como manga ou mamão, são oriundas de outras regiões do Estado.
Para o presidente o segredo do sucesso é uma dupla já conhecida: qualidade e bom preço. “Não existe hoje na cidade um estabelecimento onde se encontre a nossa variedade, os bons preços, uma praça de alimentação com produtos frescos e um atendimento camarada, onde o cliente muitas vezes se torna um amigo”, afirmou Mércio Michels.
Dentre os produtores, a grande maioria dos que trabalham na Feira, vem do Distrito de São Roque e das localidades de São Valentim, São José, Vila Roso e São Braz. E para o presidente, mais que associados, são amigos que se unem para defender seus direitos, como agora, com a reforma do Parque da Gare, que tem deixado ao mesmo tempo, os produtores felizes e ansiosos. “Queremos o melhor para todos, somos um grupo. No que se refere à reforma, na próxima semana iremos nos reunir com a Prefeitura, para debater o tema”, frisou o presidente.
Outro fator que chama a atenção é a presença feminina na Feira. Elas já somam mais de 50% dos trabalhadores e de acordo com Mércio Michels, isso ocorre também às propriedades, onde elas dominam. Nos dias de Feira os homens ficam no campo, na lida e deixam as negociações com as companheiras e filhas.
De geração para geração
Esse é o caso de Josiane Badalotti, 24 anos, de São Valetim. Apesar da pouca idade é ela quem toca o box da família e antes dela era sua mãe. Seguindo os passos dos pais, mantendo a propriedade, ela que é casada há três anos, construiu sua vida na zona rural. “Tenho muito orgulho do meu trabalho, acho importante satisfazer os compradores. Entregar produtos de qualidade e produzidos com carinho”.
Levando uma vida boa e próspera no interior, como muitos que nasceram e se criaram na Feira, não pensa em sair de sua propriedade e garante: “sou mais feliz na tranquilidade do campo do que na correria da cidade”.
Natureza ao alcance da mesa
Para dona Delvina Sangali, que já freqüenta a Feira há alguns anos, no local ela encontra qualidade e produtos gostosos. Por isso, sempre que pode dá um pulinho para incrementar o cardápio da família: “é tudo mais natural e fresco, venho sempre que tenho uma folga”.
Economia o bolso
Além da qualidade o que atrai os freqüentadores são os preços praticados, menores do que em grandes centros de compra. Claudete Jianquini, aproveita a saída do trabalho para conferir os bons preços. “Quando consigo sair mais cedo do serviço aproveito para levar as verduras da semana com um valor mais em conta”.