Fecomércio teme redução na capacidade de investimentos se for criado o Imposto sobre Valor Agregado
Há mais de 30 anos sendo debatida, a reforma tributária pode apontar para a criação de um imposto único. Porém, a proposta prevista para ser votada na Câmara esta semana, provoca divergências. Isto porque cria o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), enquanto Pis, Cofins e IPI seriam unificados em um mesmo tributo, chamado de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Já o ICMS (estadual) e o ISS (municipal), seriam transformados no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
No entanto, o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, entende que o setor dos serviços será onerado com essa forma de tributação proposta e, com isso, o consumidor final acabaria pagando a conta. Falando para a Rádio Uirapuru, Bohn diz que existe uma preocupação coma possibilidade do aumento de carga tributária geral e, com certeza, setorial, incluindo comércio e serviços.
O presidente da Fecomércio-RS disse ser favorável à queda de qualquer tributação, mas o Brasil tem alta aplicação de juros sobre o consumo e bens. Pelos cálculos e simulações, a carga tributária pode chegar a ter um aumento de 188%, alerta Luiz Carlos Bohn. Serviços de contabilidade, Tecnologia da Informação e medicina podem sofrer esse aumento, o que seria setorial, mas abrangendo de forma geral a população, lamenta.
Na visão do dirigente, a proposta pode trazer impactos diretos na alimentação, que também sofreria alterações na cobrança de impostos. Bohn lembra que o governo sinaliza com a possibilidade de um cashback, o que pode funcionar, mas é temerário. Desse modo, o quadro está imprevisível e a possibilidade de uma nova carga tributária não é bem vista pela entidade que representa o comércio gaúcho, podendo provocar redução na capacidade de investimento, até mesmo travando a economia.
No cenário estadual, o presidente da Fecomércio-RS lamenta a posição do governador Eduardo Leite, que se posiciona favorável à mudança na tributação.