Falta de repasse do IPE para hospitais gaúchos pode deixar um milhão de usuários sem atendimento de saúde
Duas entidades que reúnem os maiores hospitais gaúchos notificaram o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (IPE Saúde) sobre a possibilidade de rescisão de contratos e suspensão de serviços aos usuários a partir do mês que vem. Os primeiros rompimentos podem ocorrer após 16 de abril.
A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Rio Grande do Sul e a Federação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (Fehosul) protocolaram o documento na sede do IPE Saúde e também na Casa Civil na última quarta-feira (16), após reunião realizada na véspera. Estão em atraso contas referentes a serviços hospitalares e ambulatoriais prestados em diversas cidades.
De acordo com o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, Luciney Bohrer, historicamente os hospitais gaúchos sofrem com atrasos nos repasses do IPE. Conforme Bohrer, as instituições estão conversando com o Governo do Estado para tentar criar alguma solução para que o IPE consiga sobreviver a essa crise que está passando.
O presidente relata que está muito difícil de manter os atendimentos com esse nível de atraso e com a implantação de uma tabela própria, por parte do IPE, para pagamentos de medicamentos. Os hospitais estão desde 2011 sem reajuste nas tabelas de valores de diárias e taxas para os serviços prestados ao IPE. Ficou definido, portanto, que caso o Instituto venha a implantar essa tabela, os hospitais não prestarão mais serviço ao órgão. O prazo para encerrar os atendimentos seria de 90 dias.
De acordo com Luciney Bohrer, os hospitais não querem suspender o serviço, no entanto não tem mais como sustentar essa situação. As entidades demoram 180 dias para receber uma conta ambulatorial e o IPE tem atualmente uma dívida acima de R$ 1 bilhão com as Santas Casas e Hospitais do Estado.