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Geral

Falta de imigrantes deixa frutas apodrecendo nos EUA, enquanto Passo Fundo se torna referência em acolhimento com apoio da UPF

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Ao longo dos últimos meses, o governo de Donald Trump tem colocado em prática uma política de “tolerância zero”, que visa desencorajar a imigração sem documentos e permite que todos os imigrantes ilegais adultos sejam acusados criminalmente. Recentemente, uma operação foi realizada com esse objetivo, e muitos imigrantes acabaram deixando o país.

Entretanto, essa decisão do presidente dos EUA está gerando grande preocupação entre os agricultores, pois muitos contavam com imigrantes em seu quadro de funcionários. Em algumas fazendas, mais de 70% dos trabalhadores já saíram, e, com isso, frutas que antes eram colhidas por esses imigrantes estão apodrecendo nos campos, afirmaram produtores e funcionários nas redes sociais.

Com o objetivo de analisar como os imigrantes estão sendo recebidos no Brasil e, consequentemente, em Passo Fundo, a coordenadora do Balcão do Migrante da UPF, professora Patrícia Noschang, conversou com a Rádio Uirapuru e apresentou dados importantes sobre a realidade local. Ela explica que a primeira preocupação da maioria dos imigrantes ao chegar ao Brasil é regularizar a situação documental. Patrícia salienta que não existe ilegalidade na migração e que, portanto, o país não criminaliza essa situação, pois migrar é um direito humano fundamental.

Dessa forma, um dos objetivos do Balcão é auxiliar essas pessoas no processo de documentação. A professora ressalta que, somente neste ano, já foram atendidas pessoas de 54 nacionalidades diferentes. As que mais têm chegado a Passo Fundo são provenientes da Venezuela, Cuba e Haiti. Patrícia reforça que a primeira regularização tem validade de dois anos, podendo ser estendida para até nove anos, caso a pessoa esteja empregada.

Segundo a professora, é difícil estimar com precisão quantos imigrantes vivem atualmente em Passo Fundo, pois muitos acabam se deslocando para municípios vizinhos, como Marau e Serafina Corrêa, que também oferecem oportunidades de trabalho.

Patrícia finalizou a entrevista colocando os serviços do Balcão do Migrante à disposição da comunidade. O atendimento ocorre de segunda a quinta-feira, das 14h às 17h30, no Campus I da UPF. Para agendar um atendimento, basta entrar em contato pelo telefone (54) 3316-8178.