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Geral

Falta de arrependimento e frieza ao enganar os mais vulneráveis demonstram sinais de psicopatia em golpistas, afirma psiquiatra

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

Casos de golpes têm se tornado cada vez mais frequentes e diversificados, atingindo pessoas de diferentes idades e perfis. Entre os mais comuns estão os golpes digitais, fraudes bancárias, estelionatos por telefone e até práticas antigas que ainda fazem vítimas, como o conhecido “conto do bilhete”. Em muitos desses casos, os criminosos se aproveitam da confiança e da vulnerabilidade das vítimas, especialmente idosos, causando prejuízos financeiros e emocionais. Diante desse cenário, um aspecto chama a atenção: a frieza de quem comete esse tipo de crime, muitas vezes sem demonstrar qualquer arrependimento.  Para entender esse comportamento, a Uirapuru conversou com o médico psiquiatra Carlos Hecktheuer, que explicou o perfil psicológico de pessoas envolvidas nesse tipo de prática.

Segundo o especialista, muitos desses indivíduos apresentam características associadas à psicopatia.  São pessoas que não possuem empatia, nem sentimento de culpa ou responsabilidade pelo outro.  De acordo com ele, tratam-se de indivíduos emocionalmente frios, que enxergam as outras pessoas apenas como meios para alcançar seus próprios objetivos. Esse comportamento, conforme o médico, não surge na vida adulta, mas se desenvolve desde a infância, ao longo da formação do indivíduo. Hecktheuer destaca que esses perfis são marcados por uma visão individualista extrema, na qual não há espaço para solidariedade ou preocupação com o próximo.  Nesse contexto, o desejo pessoal se sobrepõe a qualquer consequência, independentemente dos prejuízos causados.

Ele ressalta ainda que esse tipo de comportamento não está restrito a uma classe social específica, podendo ser observado em diferentes níveis da sociedade./ Outro ponto abordado pelo psiquiatra é a escolha das vítimas. Idosos acabam sendo alvos frequentes, muitas vezes por se encontrarem em situações de maior vulnerabilidade emocional.  Conforme explica, golpistas costumam se aproximar pedindo ajuda, o que faz com que a vítima se sinta útil e acolhida, facilitando a ação criminosa.

Sobre formas de evitar que esse tipo de situação continue acontecendo, o médico afirma que o cenário é complexo.  Isso porque, segundo ele, essas pessoas não reconhecem seus erros e não desenvolvem consciência sobre os danos que causam.  Para Hecktheuer, trata-se de um problema grave, de difícil solução, que exige atenção constante da sociedade.