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Geral

Expectativa para 2026 é de grandes investimentos para Passo Fundo, revolução digital e desafios ambientais

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

Um misto de otimismo econômico, alertas sobre os riscos da tecnologia, adaptação a uma nova realidade tributária e a urgência de ações ambientais marcou as projeções para 2026 feitas por representantes de diversos setores no programa Sem Segredo, neste sábado. Passo Fundo se vê no centro de um ano que promete consolidar seu crescimento, mas que exigirá atenção da população e do poder público em várias frentes.

No campo do desenvolvimento, o secretário municipal Adolfo de Freitas projetou um ano de atração de grandes investimentos, consolidando Passo Fundo como polo da região norte do estado. O horizonte é movimentado por empreendimentos de impacto, como a fábrica de etanol da Be8, na BR-285 – considerada o maior investimento da história do município, com obras acima de R$ 1 bilhão – e a instalação da empresa de bioinsumos Biosoluções. “Essa fábrica vai ser uma grande baleia, e vários peixes vão se alimentar no casco dela”, comparou Freitas, destacando a cadeia de negócios em logística, hospedagem e serviços que deve surgir no entorno. A expectativa é que o setor da construção civil, no qual a cidade é o segundo polo do RS, e programas de qualificação profissional reforcem a geração de empregos formais e especializados.

Enquanto a economia local acelera, a população terá de navegar por uma revolução digital cheia de promessas e perigos. O professor e cientista da computação Amilton Martins descreveu um 2026 onde a inteligência artificial trará saúde personalizada, com diagnósticos mais rápidos e tratamentos adaptados, e auxiliará em compras online mais assertivas. No entanto, lançou um alerta grave: os golpes digitais darão um salto perigoso. “Com 20 segundos, 30 segundos, [o criminoso] captura tua voz, pega todo o teu timbre, o teu trejeito e replica isso com o que ele quiser”, explicou. O chamado “deep fake” – a falsificação realista de áudio e vídeo – deve se tornar uma ameaça comum, especialmente em um ano eleitoral. A recomendação é desconfiar de ligações suspeitas e adotar palavras-chave com a família para confirmar identidades.

Para as empresas, 2026 será o ano do “jardim de infância” da complexa reforma tributária, conforme explicou o contador João Luiz Brizola Machado, CEO do Grupo Asecom. As mudanças iniciais são mais contábeis, com a introdução de novas siglas como IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que unificarão tributos como ICMS e ISS. O objetivo de longo prazo, com implementação total prevista para 2033, é acabar com a guerra fiscal entre estados. No curto prazo, contudo, empresários e contadores enfrentarão o desafio de operar dois sistemas simultaneamente, tornando a assessoria especializada mais crucial que nunca.

No cenário político, o presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Valendorf, antecipou um ano “movimentado e conturbado” pelas eleições. Ele anunciou uma inovação no legislativo: a descentralização das sessões plenárias para diferentes regiões da cidade, buscando aproximar o parlamento da comunidade. Valendorf também defendeu a necessidade de Passo Fundo eleger representantes fortes nas esferas estadual e federal para facilitar a captação de recursos.

O otimismo do setor produtivo foi destacado por Evandro Silva, representante das entidades empresariais, que vê 2026 como o ano da consolidação de Passo Fundo, graças a sua economia diversificada e mão de obra qualificada. O grande desafio, segundo ele, será atrair e reter os jovens no mercado de trabalho local, uma tarefa que exigirá ação conjunta de empresas, entidades e poder público.

Por fim, o especialista em gestão ambiental Ademar Marques, da Agenda 21, trouxe um contraponto de urgência. Para ele, 2026 será um ano de aprender a “conviver” com os efeitos das mudanças climáticas, cujas metas globais não foram atingidas. O foco, em Passo Fundo, deve ser a implementação prática de planos já existentes, como o de Mata Atlântica, o de gestão das águas e, principalmente, o de resíduos sólidos. “Não é possível que as pessoas continuem nos containers misturando os resíduos”, criticou, defendendo a coleta seletiva e o apoio às cooperativas de reciclagem como medidas urgentes para o desenvolvimento sustentável.