Exercícios são indicados para mulheres com linfedema após tratamento de câncer de mama
Mulheres com linfedema, especialmente, nos casos após tratamento do câncer de mama, devem praticar exercícios. O linfedema causa a retenção de grandes quantidades de líquido rico em proteínas que provocam um inchaço crônico em partes do corpo. Nas mulheres que passaram por tratamento do câncer de mama, esse inchaço pode ocorrer nos braços, mãos, punhos, pescoço, ombro e região torácica, por exemplo. A atividade física, até mesmo a musculação, com acompanhamento fisioterapêutico, é uma aliada para conter o linfedema, ao contrário do que se pensava.
O linfedema é uma dificuldade de circulação da linfa, que é um líquido que circula entre os linfonodos (gânglio linfático), que são estruturas ovais, localizadas no caminho dos vasos linfáticos. Na cirurgia de retirada do tumor da mama, muitas vezes, ocorre a remoção dos linfonodos para minimizar ou evitar as chances de metástases, ou seja, para evitar que o câncer se espalhe para outras partes do corpo. “O linfedema é conhecido como ‘inchaço’ decorrente de alguma forma de obstrução ao fluxo normal da linfa. Em geral, é devido a procedimentos cirúrgicos de remoção de linfonodos, como em algumas cirurgias do câncer de mama. Ele pode ocorrer por inúmeras causas, desde infecciosas, vasculares, cirúrgicas, radioterapia e outras. Em geral, não é decorrente do câncer, apesar de raramente acontecer”, explica o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Alvaro Machado.
Conforme o oncologista clínico do CTCAN, quando o linfedema acontece após o tratamento do câncer de mama pode ser desde discreto até severo. “O importante é evitá-lo. Para isso, várias orientações e cuidados devem ser seguidos”, salienta Machado.
O desconforto e a dor causados pelo linfedema fazem com que a paciente evite fazer atividades físicas. Conforme Machado, vários estudos publicados nos últimos anos mostram, portanto, que a restrição no uso do membro ou na atividade física não protege contra linfedema. “Ao contrário. Sabemos hoje que é recomendada atividade programada, sob acompanhamento fisioterapêutico especializado desde logo após a cirurgia. O objetivo é o completo restabelecimento da função do membro e sem restrições à atividade física, inclusive musculação”, ressalta o oncologista.
O oncologista citou, por exemplo, um estudo publicado há algum tempo na revista “The New England Journal of Medicine”, que mostra que a musculação é indicada para as mulheres com linfedema após tratamento do câncer de mama. “O estudo mostra que, ao contrário do que se pensava e da ‘lenda’ ainda predominante entre pacientes, a atividade física, incluindo musculação, é benéfica para a mulher. A única observação é de que esta atividade física seja liberada e monitorada por seu fisioterapeuta oncológico”, revela Machado.
Acompanhamento fisioterapêutico é essencial
O linfedema é uma das principais intercorrências da cirurgia e radioterapia para o câncer de mama, sendo de extrema importância buscar alternativas para sua redução e controle. Conforme a fisioterapeuta do CTCAN, Renata Dall’Agnol, por meio da fisioterapia é possível ajudar no controle álgico, na diminuição do edema, na melhora da funcionalidade e mobilidade e no aumento da força muscular. “A fisioterapia, com seus amplos recursos, ainda é a escolha mais eficiente no tratamento do linfedema pós-mastectomia, pois consegue não só melhorar como manter a funcionalidade da circulação linfática, além de prevenir recidivas de infecções”, informa Renata.
Os principais sinais e sintomas associados ao linfedema são: aumento do diâmetro do membro; tensionamento da pele com risco de rotura e infecção; rigidez e diminuição da amplitude de movimento das articulações do membro acometido; sensação de peso, distúrbios sensoriais; diminuição da funcionalidade; e dor. Segundo Renata, como consequência, o linfedema pode resultar em deformidade estética, diminuição da força muscular, diminuição da habilidade funcional, dores e problemas emocionais.
Um dos principais tratamentos utilizados é a linfoterapia. “Atualmente, o tratamento padrão ouro para o linfedema é a terapia física complexa ou linfoterapia, que consiste em exercícios miolinfocineticos, drenagem linfática manual e enfaixamento compressivo. E deve ser sempre feito por fisioterapeuta habilitado e com experiência na área oncológica”, revela a fisioterapeuta.
Renata salienta que a atividade física é recomendada para as pacientes em tratamento de câncer. No entanto, é necessária uma avaliação de toda a musculatura e condição física antes do paciente iniciar a atividade. “A atividade traz benefícios físicos e psíquicos comprovados na recuperação dos indivíduos submetidos ao tratamento do câncer. Os exercícios resistidos podem fazer parte da rotina desses pacientes sempre supervisionados por profissionais capacitados. Os limites de cada paciente devem ser respeitados e sempre observar se há alguma alteração do membro ou início de algum sintoma como dor, sensação de peso e aumento do edema. Quando nos exercitamos, ativamos a circulação sanguínea o que também contribui para o retorno da linfa”, explica Renata.
A prática das atividades físicas sempre deve ser supervisionada por profissionais capacitados e sob orientação do médico oncologista e do fisioterapeuta especializado, porque o peso utilizado nos exercícios resistidos de uma mulher com linfedema e as repetições são diferentes. “Acreditava-se que evitar pegar peso com o braço do mesmo lado da cirurgia protegeria o membro. Hoje já sabemos que exercícios com carga e resistência trazem mais benefícios que malefícios às mulheres, desde que orientado e supervisionado por um fisioterapeuta com experiência em oncologia”, observa a fisioterapeuta.