EUA prevê safra de soja menor que o esperado e preço do grão deve seguir elevado no Brasil
O preço da soja chegou a bater cerca de 70 pontos de alta em Chicago nesta semana. A alta deriva do anúncio do departamento de agricultura norte-americano, de que irão colher cerca de quatro milhões de toneladas a menos de soja na próxima safra. De acordo com o cerealista Emeri Tonial, o mercado da soja vem variando de hora em hora, não mais em dias como era anteriormente. Ele explica que o impacto das decisões dos bancos, investidores e até os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia acabam sendo determinantes para essa variação muito grande e rápida no mercado das commodities.
Conforme Tonial, o preço da saca de soja pode variar bastante na safra brasileira, tudo vai depender de como o mercado estará no momento da colheita. O preço é calculado com base nas cotações internacionais, no preço do dólar e no custo para plantio, colheita e transporte. Como a previsão para a safra norte-americana é de colher menos que o estimado, a probabilidade de o Brasil ter uma colheita com preços elevados novamente é grande.
Outro fator importante para determinar os preços das commodities são as eleições. Será necessário saber quem vencerá as eleições e qual política econômica será aplicada no país. Tonial explica que quem produz metade da soja consumida do mundo é o Brasil e a Argentina. Desse modo, os países asiáticos compram o grão da América do Sul, impulsionando o mercado. Caso a safra norte-americana fique abaixo do esperado, isso pode impactar em uma disputa comercial pela soja produzida por aqui.