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Saúde

Esquizofrenia pode aparecer nos primeiros anos da adolescência, revela psiquiatra

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Esquizofrenia pode aparecer nos primeiros anos da adolescência, revela psiquiatra
Esquizofrenia pode aparecer nos primeiros anos da adolescência, revela psiquiatra

Um crime bárbaro cometido nesta semana na pequena cidade de Santo Antônio do Palma, distante pouco mais de 60 km de Passo Fundo, chocou o Estado. Um jovem, de 27 anos, matou a própria mãe, identificada como Ana Maria Nunes, de 54 anos. Na quarta-feira (24), ela chegou do trabalho e foi atacada pelo filho, que a matou em um quarto e depois decapitou o corpo, colocando a cabeça dentro de um estojo de violão. Segundo pessoas próximas, o jovem sofre de esquizofrenia e seria usuário de drogas.

Conforme a reportagem da Uirapuru apurou com vizinhos, ele apresentava diversos problemas há tempos e, no último final de semana, a família tentou internar o mesmo diante das ameaças de morte que ele proferiu.

Em entrevista na Uirapuru, o psiquiatra Carlos Hecktheuer explicou que o esquizofrênico se caracteriza por não estar conectado com a realidade. Isso significa que ele não está no mesmo mundo o qual vivemos, mas em algo imaginário, criado do delírio e da alucinação de um comportamento desorganizado.

Hecktheuer revelou que essa doença pode aparecer nos primeiros anos da adolescência, mas tem origem e causa desconhecida até hoje. Por mais pesquisas que foram feitas, o psiquiatra revela que nunca conseguiram detectar a primeira causa da esquizofrenia. De acordo com Hecktheuer, nos homens a doença surge ainda na adolescência e principalmente quando eles são jovens adultos, já as mulheres são acometidas pela enfermidade de forma mais tardia.

Dentre os sinais e sintomas que mostram uma possível esquizofrenia, Hecktheuer afirma que um deles é culpar os outros pelos próprios problemas e lançar para os demais tudo aquilo que os atormenta. Além disso, o esquizofrênico costuma culpabilizar principalmente os mais próximos e que convivem com eles desde sua existência, como pais, mães, familiares e pessoas que representam cuidadores.

O psiquiatra também explica que, se o ser humano passa por situações penosas na sua primeira infância e ali guarda causas e motivações para violência, a esquizofrenia pode surgir de forma perigosa se não for tratada o quanto antes. Ainda, ele afirma que essas pessoas geralmente são introvertidas, desligadas, desconectadas, apáticas, de pouco movimento e pouca ação.

Como na adolescência as exigências aumentam e ficam mais intensas, pode ser que eles não consigam consertar suas vidas e pensamentos, tornando-se assim violentos e projetando para fora todos os seus conflitos. Além disso, o uso de drogas, como foi no caso de Santo Antônio do Palma, potencializa as dificuldades da mente do esquizofrênico e desorganiza o sistema emocional psicológico destas pessoas.

Hecktheuer afirma que, após apresentar qualquer sintoma de esquizofrenia, a pessoa precisa imediatamente ter uma assistência médica psicológica e medicamentosa.

Também declara que é necessário um acompanhamento permanente e um Sistema de Saúde que faça visitações, trate e acolha os esquizofrênicos quando em surto ou dando os primeiros sinais da doença. No entanto, a realidade no Brasil, segundo o psiquiatra, é cruel.

De acordo com o psiquiatra Carlos Hecktheuer, não há uma assistência correta ao doente mental no país atualmente e é preciso cada vez mais considerá-los como enfermos e não esquisitos.