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Expodireto 2025

Especial Expodireto: DDG, o produto resultante da sobra de cereais destilados é matéria-prima da produção de ração

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Durante a Expodireto de 2024 a Embrapa Trigo e a Be8 assinaram um acordo de cooperação técnicapara o desenvolvimento de cultivares de triticale voltados à produção de etanol amiláceo. O grão terá como destino a produção na nova fábrica, que teve sua construção iniciada em agosto do ano passado.

A produção de etanol pela Be8 está prevista com o uso de amido, principalmente oriundo de grãos de cereais como matéria-prima. Neste cenário, os cereais de inverno são importante fonte de amido, promovendo o uso da terra na estação fria, com geração de renda e liquidez no mercado. Entre as alternativas, o triticale apresenta grande potencial para abastecer o mercado de biocombustíveis, especialmente as usinas de produção de etanol, já que possui elevado teor de amido, elevada atividade amilolítica, principalmente α-amilase, fundamental na sacarificação do amido.

Além de usar o grão na produção do combustível, a Be8 vai oferecer também ao mercado o farelo oriundo da produção do etanol. Conhecido como DDGS (Distiller’s Dried Grains with Solubles) ou Grãos Secos de Destilaria com Solúveis (em português), obtido imediatamente após o processo fermentativo de produção de etanol, é um importante coproduto do processo de fermentação de grãos, com grande potencial de utilização para produção de rações animais destinadas à cadeia de produção de alimentos. Serão produzidos 155 mil de toneladas por ano de farelo para a cadeia de proteína animal na segunda fase do projeto.

O DDG, segundo o médico veterinário, doutor em Ciências Veterinárias, professor e pesquisador do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo, Carlos Bondan, é um produto oriundo das destilarias que utilizam cereais como milho, sorgo, trigo, cevada, centeio, triticale, “ou seja, de qualquer cereal que tenha uma concentração bastante alta de carboidrato, como o amido, utilizado para a produção de álcool”, explica.

Conforme o professor, desse processo resulta o DDG como “sobra”. Entretanto, trata-se um produto com algumas características muito importantes para a nutrição animal. “Ele é um produto que, após ser utilizado o componente carboidrato, sobram fibras, sobram proteínas e é um produto que podemos considerar como alimento extremamente rico em termos de nutrientes e tem sido atualmente utilizado para a nutrição de ruminantes”, salienta.

Além dos ruminantes, o DDG pode também ser utilizado na ração de outros animais, como cães e gatos. “Atualmente e, principalmente, pela característica nutricional, muito rico em fibras, acaba sendo destinado em sua maioria em ruminantes: bovinos, ovinos, caprinos que são animais que têm a capacidade de digerir fibra, então acabam aproveitando a fibra como alimento, como nutriente também. Os monogástricos, como os suínos, os cães, precisam de fibra também, mas mais como componente para regulação do trato gastrointestinal”, avalia.

A grande vantagem do DDG, conforme Bondan, é ser um insumo na dieta das rações “e, considerando o seu teor proteico e também considerando a proteína como um dos alimentos mais caros que compõem a dieta dos animias, acaba sendo muito oportuno para reduzir custos e é mais um componente nutricional disponível no mercado para que os produtores possam utilizar. Então é excepcionalmente positivo o produtor ter a sua disposição a compra do DDG”, salienta.

Também será integrada ao projeto a produção de glúten vital, um concentrado proteico em pó obtido a partir da farinha de cereais. Atualmente todo o glúten consumido no Brasil é importado. Como este projeto, a Be8 suprirá integralmente o mercado brasileiro, com capacidade para atender ao Mercosul também. A unidade produzirá 35 mil toneladas/ano de glúten vital.

Produção de etanol

A nova fábrica da Be8 será a primeira de grande porte no estado produzindo o biocombustível com cereais, e a primeira produção de glúten vital do Brasil. A obra teve início com a atividade de terraplanagem, que movimentou 1 milhão e 500 mil metros cúbicos de terra, entre corte e aterro, numa área total de terreno de 80 hectares. A área construída da nova planta será em cerca de 40 hectares, ou mais de 63 mil metros quadrados.

Com previsão de operação em 2026, a fábrica de etanol vai gerar mais de 800 empregos durante a fase de implantação do projeto, dando preferência à contratação de mão de obra local, promovendo o treinamento e a capacitação especializada para manutenção e operação da unidade. Após a conclusão, serão gerados aproximadamente 175 empregos diretos na operação.

A Be8 está estruturando, com instituições de ensino, cursos de formação técnica e de aperfeiçoamento profissional com o objetivo de desenvolver e formar profissionais qualificados para a nova fábrica e demais processos industriais da empresa. A companhia também vai priorizar a contratação direta e indireta de empresas estabelecidas em Passo Fundo para a realização de investimentos. A usina será flexível para a produção de etanol anidro (que pode ser adicionado na gasolina) ou hidratado (consumo direto) e terá capacidade de 220 milhões de litros.

A unidade contará com autoprodução de energia elétrica com cogeração a partir de biomassa e a oferta de energia excedente será disponibilizada na rede de distribuição do município. Não haverá lançamento de efluentes líquidos, que serão utilizados para produção de vapor no processo de produção.