Especial Expodireto: Agro lidera exportações com três principais produtos do RS vindos do campo
Entre janeiro e dezembro de 2024 as exportações do Rio Grande do Sul somaram US$ 21,9 bilhões, representando queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o montante exportado pelo estado é, em valores nominais, sem considerar a inflação do período, o terceiro maior desde o início da série histórica, em 1997. Os dados foram divulgados em janeiro pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).
Apesar da queda das exportações, o percentual negativo do Rio Grande do Sul foi inferior à média de todas as unidades da federação, que contraíram 2,6% no período. No ranking brasileiro de vendas externas, o estado passou da sexta para a sétima posição, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Pará, mas conservou a participação relativa de 6,6%.
“O desempenho das exportações gaúchas em 2024 foi instável, com setores importantes sentindo o impacto de fatores externos e internos. O estado seguiu como um dos principais exportadores do Brasil, mas enfrentou quedas no volume exportado em algumas cadeias produtivas”,comenta a economista Giana Mores, docente do Mestrado em Administração da Atitus Educação e cofundadora do Observa Agro.
De acordo com ela, o agronegócio, que é a base das exportações gaúchas, foi afetado tanto pelo clima quanto por desafios logísticos. “Ainda assim, commodities como soja, carne e celulose continuaram puxando os embarques, com destaque para a China e a União Europeia como principais mercados. A indústria também manteve sua competitividade, mas lidou com oscilações cambiais e custos elevados, o que reduziu um pouco o ritmo das exportações em comparação com anos anteriores”, completa.
Conforme a economista, para avaliar os resultados é preciso considerar as enchentes, que foram o grande evento a influenciar em todas as atividades econômicas do estado. “As enchentes de 2024 tiveram um impacto na produção agrícola e na logística de exportação. No campo, lavouras inteiras foram afetadas, especialmente as de arroz e soja, o que reduziu a capacidade de escoamento desses produtos para o mercado externo. Além disso, problemas na infraestrutura – estradas bloqueadas, portos operando com restrições – atrasaram embarques e aumentaram os custos do setor exportador. Na indústria, muitas empresas tiveram paralisações ou dificuldades de abastecimento, o que também afetou os volumes exportados”, avalia.
Os mais exportados
A ordem dos três principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul manteve-se a mesma de 2023: soja em grão (US$ 4,6 bilhões), fumo não manufaturado (US$ 2,5 bilhão) e farelo de soja (US$ 1,4 bilhão). A lista dos dez produtos mais vendidos também inclui carne de frango (US$ 1,3 bilhão), cereais (US$ 1,0 bilhão), celulose (US$ 979,0 milhões), carne suína (US$ 625,8 milhões), polímeros de etileno, em formas primárias (US$ 589,9 milhões), partes e acessórios dos veículos automotivos (US$ 574,2 milhões) e calçados (US$ 568,2 milhões).
Principais destinos
Em 2024, o Rio Grande do Sul exportou para 194 destinos e, mais uma vez, a China foi o principal deles, com 26,2% do percentual. Entretanto, alguns dos principais produtos exportados para o país asiático, como carne suína, carne de frango e carne bovina, apresentaram queda em comparação a 2023. União Europeia (12,0%), Estados Unidos (8,4%), Argentina (5,0%), Coreia do Sul (3,5%), Vietnã (3,0%), Uruguai (2,6%), Paraguai (2,4%) e Chile (2,3%) também se destacaram entre os mercados compradores de produtos provenientes do Estado.
Os destinos que mais colaboraram para a diminuição das exportações gaúchas no último ano foram União Europeia (menos US$ 342,3 milhões; -11,6%), Indonésia (menos US$ 258,1 milhões; -53,3%), Arábia Saudita (menos US$ 181,5 milhões; -52,7%), Estados Unidos (menos US$ 168,0 milhões; -8,4%), México (menos US$ 161,5 milhões; -25,0%) e Reino Unido (menos US$ 78,3 milhões; -34,6%).
Em contrapartida, Coreia do Sul (mais US$ 286,9 milhões; 60,5%) China (mais US$ 242,2 milhões; 4,4%), Filipinas (mais US$ 219,8 milhões; 194,2%), Irã (mais US$ 172,2 milhões; 56,9%), Iraque (mais US$ 136,5 milhões; 92,1%) e Egito (mais US$ 91,3 milhões; 52,4%) contribuíram para mitigar a queda das exportações.
Em busca da recuperação
Para a economista, alguns fatores precisam ser considerados quando o assunto é a recuperação dos índices. “A recuperação completa pode levar um tempo, mas há boas chances de reverter parte das perdas. O que pode ajudar: recuperação da infraestrutura – se estradas e portos voltarem a operar normalmente, a logística melhora e os custos caem; boa safra em 2025 – se o clima colaborar, a produção agrícola pode crescer e compensar parte do prejuízo de 2024; câmbio favorável – o real mais desvalorizado torna os produtos gaúchos mais competitivos no mercado internacional. O primeiro semestre ainda pode ser de ajustes, mas no segundo há espaço para uma recuperação mais consistente”, projeta.
Desafios para 2025
Conforme Giana, o ano de 2025 é promissor, apesar dos fatores que podem ser desafiadores. “O cenário para 2025 traz desafios, mas também oportunidades. A recuperação do agro será essencial, e se tivermos um clima mais estável e incentivos certos, a produção de soja, arroz e carne pode crescer, puxando as exportações para cima”, comenta. A economista ressalta ainda que, no cenário global, o Brasil pode ganhar espaço, especialmente se a China seguir comprando grandes volumes e se houver mudanças nas relações comerciais internacionais, especialmente com os Estados Unidos. “Outro ponto-chave é a infraestrutura. Se houver investimentos em logística, redução de custos no transporte e escoamento mais eficiente, o setor pode recuperar parte da competitividade perdida. No geral, 2025 tem potencial para ser um ano de retomada, mas isso depende de como esses fatores vão se desenrolar nos próximos meses”, projeta.