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País

Ernesto Araújo nega que sua atuação prejudicou compra de vacinas

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo negou que a condução da diplomacia brasileira durante sua gestão tenha prejudicado o processo de aquisição de vacinas e insumos para o Brasil — principalmente os provenientes da China. Araujo depôs na CPI da Covid nesta terça-feira. Entre os parlamentares que criticaram a atuação de Ernesto Araújo está o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), e a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Kátia Abreu (PP-TO).

Omar Aziz citou artigo de Ernesto Araújo publicado em abril de 2020, que, segundo o parlamentar, fazia referência ofensiva à China ao mencionar o coronavírus como um “vírus ideológico”.

— O senhor não acha que chamar [o vírus] de “comunavírus” não é uma coisa que indispõe a relação amigável que nós sempre tivemos, comercial, com a China? Se o senhor não acha isso, eu não sei o que mais achar. Inclusive, é até de se estranhar um chanceler, um ministro das Relações Exteriores, escrever um artigo contra um país com o qual nós temos uma relação comercial superavitária, que ajuda muito no superavit primário do Brasil, coisa que nós não temos com os Estados Unidos — afirmou o presidente da CPI.

Ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se sua atuação prejudicou a relação com a China, Ernesto disse não concordar com essa avaliação, e argumentou que o crescimento do comércio brasileiro com esse país fornece indícios de que havia uma “boa diplomacia”.

— E acho que isso se reflete em dois dados muito concretos: o nosso comércio com a China aumentou significativamente ao longo deste governo. Entre 2019 e 2020, os números de 2020, mesmo com a pandemia, mostraram um aumento de 9% das nossas exportações destinadas à China, que, se não me engano, já atinge o posto de 33% do mercado total das nossas exportações — afirmou.

Ernesto Araújo disse que não fez “nenhuma declaração” que fosse entendida como “antichinesa”. Ele observou que, em determinados momentos, queixou-se por meio de comunicados oficiais de comportamentos da Embaixada da China ou do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Mas, na sua visão, isso não teria prejudicado relação diplomática entre os dois países.

 “Memória seletiva”

Já a senadora Kátia Abreu (PP-TO) declarou que o ex-chanceler possui uma “memória seletiva”, porque, segundo ela, o ex-ministro deixou de fazer referência, durante o depoimento, às citações que ele mesmo fazia, em blogs e redes sociais, contra a China e o governo chinês. Para ela, o crescimento dos negócios brasileiros com a China e as mais de 85% das doses de imunizantes aplicadas no Brasil, resultantes do trabalho conjunto entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, se deram a “despeito” da diplomacia conduzida por Ernesto Araújo. Para a senadora, hoje o Brasil depende daqueles que foram diretamente atacados pelo ex-ministro.

Kátia Abreu apresentou um requerimento no qual solicita todos os ofícios do Ministério das Relações Exteriores (MRE) às embaixadas brasileiras que tratem de vacinas, cloroquina e todas as medicações relacionadas à covid-19.

Ao responder aos senadores, Ernesto Araújo também disse que o presidente Jair Bolsonaro nunca deu ordem ou orientação para rejeitar parcerias internacionais destinadas ao fornecimento de insumos e vacinas, especialmente da China.

Pfizer

O ex-ministro confirmou que o MRE recebeu telegrama que informava sobre a proposta da Pfizer de setembro do ano passado com a oferta de 100 milhões de doses de vacinas ao Brasil. Ele afirmou que o Itamaraty deixou sob a responsabilidade do Ministério da Saúde a decisão sobre a proposta e, por isso, não interveio.

Pazuello

Nesta quarta-feira, a CPI da Covid vai ouvir o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. A sessão está programada para começar às 9h. Pazuello vai depor acompanhado de um advogado e com Habeas Corpus o que lhe permite não responder perguntas que possam produzir acusações contra ele próprio.