Enchentes causaram perdas irreparáveis em alguns solos férteis do Rio Grande do Sul, afirma geólogo
As recentes enchentes no Rio Grande do Sul transformaram áreas prósperas em terras sem valor. Antes das inundações, regiões de produção agrícola podiam valer mais de um milhão de reais por hectare. Agora, esse valor praticamente se extinguiu. Falando sobre o assunto na Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni destacou a frustração dos especialistas em meio ambiente, que lidam com questões de escala planetária e enfrentam um limite de desespero.
Segundo Fragomeni, as mudanças climáticas estão provocando os períodos mais quentes e chuvosos já registrados, exigindo uma resposta coordenada a nível global. Além dos problemas em nível mundial, combatidos há anos, as consequências das recentes enchentes no Rio Grande do Sul também são significativas. Fragomeni descreveu a perda de solo fértil no estado como uma tragédia de difícil gestão.
O solo, que leva muito tempo para se formar e se tornar produtivo, foi severamente danificado pelas enchentes. Agora, segundo o geólogo, reconstruir essa fertilidade demanda tempo e investimentos consideráveis. Em algumas áreas, como no Vale do Taquari, onde o solo foi lavado, restou apenas a terra estéril. Fragomeni explica que situações na Serra e em alguns locais do Vale do Taquari são muito graves.
Lá, o solo tem pouca profundidade, cerca de 2 metros e, se esse solo é lavado, sobra embaixo apenas rocha, o que impossibilita o retorno das atividades normais. O geólogo ressaltou que a perda de solo fértil nessas regiões representa uma das maiores tragédias causadas pelas enchentes no Estado, sendo difícil de reverter. No entanto, Fragomeni ressalta que essas perdas são pontuais, sendo que em muitas áreas a recuperação será possível.
Conforme o geólogo, isso só será possível com o trabalho feito com fertilizante, matéria orgânica e recuperação do solo. Embora a situação seja grave em determinados locais, Fragomeni frisa que há esperança para a maioria das áreas afetadas. O geólogo também mencionou que a extensão total dos danos causados pelas enchentes no RS ainda não pode ser calculada, dada a gravidade da situação.