Empresa que vencer concessão do bloco 2 deve iniciar melhorias nas estradas assim que assinar o contrato
O governo do Estado vai publicar o edital de concessão das rodovias do Bloco 2 em julho e pretende assinar o contrato com a empresa vencedora do leilão no primeiro semestre de 2026. A informação foi confirmada pelo assessor especial do governador Eduardo Leite, Mateus Wesp, durante o programa Sem Segredo. O Bloco 2 inclui duas importantes rodovias da região: a ERS-324, entre Passo Fundo e Nova Prata, e a ERS-135, entre Passo Fundo e Erechim. As obras de duplicação e terceiras faixas devem começar três anos após a assinatura do contrato, que terá validade de 30 anos. No entanto, segundo Wesp, no dia seguinte à formalização do acordo, a concessionária já deverá assumir a manutenção das vias.
A tarifa proposta no novo edital é de R$ 0,19 (sem isenção de ISS) ou R$ 0,18 (com isenção), mas a decisão depende das prefeituras. A AMPLA, que representa mais de 20 municípios, voltará a se reunir após o governo apresentar planilhas detalhando os impactos da isenção do Imposto Sobre Serviços (ISS) para os cofres públicos. O encontro está previsto para a próxima semana. A prefeita de Camargo, Jeanice Fernandes, destacou que há divergências dentro da entidade sobre o pedágio — o que, segundo ela, é natural. Os gestores municipais ainda avaliam os efeitos da isenção do ISS, que variam conforme o município, além das obras previstas no contrato.
O secretário de Desenvolvimento de Passo Fundo, Adolfo Freitas, afirmou que, em um cenário ideal, o Estado deveria garantir a manutenção das estradas. No entanto, diante das dificuldades financeiras, a concessão à iniciativa privada surge como a única alternativa viável. “A iniciativa privada tem mais agilidade para resolver problemas e executar obras”, disse, citando o atraso de 55 anos no asfaltamento da Transbrasiliana entre Passo Fundo e Erechim. “Ninguém é a favor do pedágio, mas a realidade exige essa solução.”
Entidades regionais estão criando um Polo de Desenvolvimento Regional para debater temas comuns, incluindo a concessão das rodovias. O presidente da Acisa, Evandro Silva, afirmou que há consenso sobre a necessidade do modelo, mas também destacou a urgência de discutir a dependência excessiva do modal rodoviário. Ouça o que diz o presidente da Acisa:
O empresário Antônio Roso, da Aliança Empresarial, participou do Sem Segredo e adiantou que uma reunião com secretários estaduais e empresários está marcada para 26 de junho, com as concessões entre os temas principais. Ele defendeu o modelo, argumentando que, além de melhorar a qualidade da ERS-324 — essencial para o escoamento da produção —, a rodovia se tornará mais segura. Estima-se que mais de mil pessoas tenham morrido na via, que já foi chamada de “estrada da morte”.