Emoção, Afeto e Comportamento: sexualidade deve ser acompanhada de prevenção , alerta médico
O programa semanal Emoção, Afeto e Comportamento, realizado pela Uirapuru todas as terças-feiras, abordou em sua mais recente edição o tema da sexualidade ao longo da vida. Apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer, o programa recebeu como convidado o médico urologista e andrologista Douglas Pedroso, que contribuiu com análises médicas, sociais e comportamentais sobre o assunto, desde a adolescência até a terceira idade.
Durante a conversa, o especialista destacou que a sexualidade não pode ser compreendida apenas pelo viés biológico, mas também emocional, cultural e social. Um dos pontos centrais abordados foi o aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e sífilis, especialmente entre os jovens.
Segundo Douglas Pedroso, esse crescimento não é exclusivo do Rio Grande do Sul, mas pode estar relacionado à maior eficiência dos sistemas de notificação em saúde pública, o que torna os dados mais visíveis no estado. O urologista explicou que, após o impacto inicial da epidemia de HIV nas décadas de 1980 e 1990, houve uma retração no comportamento sexual. Com os avanços no tratamento e o controle da doença, a percepção de risco diminuiu, favorecendo a retomada de práticas sexuais sem proteção adequada.
Esse cenário, conforme ressaltou, contribui para o aumento de outras infecções, como a sífilis, que voltou a apresentar crescimento significativo. Outro tema abordado foi a dificuldade de manter o uso do preservativo de forma consistente. Pedroso destacou que a sexualidade é fortemente instintiva e emocional, o que faz com que, muitas vezes, a razão seja sobreposta pelo desejo. Ainda assim, reforçou a importância da prevenção e da educação sexual contínua, principalmente entre os jovens.
De acordo com a experiência clínica do convidado, muitos jovens têm demonstrado menor interesse em relações sexuais casuais, valorizando mais o vínculo afetivo e emocional. Ao mesmo tempo, cresce o impacto da pornografia digital, acessada precocemente, o que pode influenciar negativamente a construção de uma sexualidade saudável.