Emoção, Afeto e Comportamento: pais devem orientar e ter presença ativa no ambiente digital dos filhos
Semanalmente, a Rádio Uirapuru realiza o programa Emoção, Afeto e Comportamento. Com temas atuais e apresentado por Erico Hecktheuer, o programa recebe convidados especiais em cada edição. Na mais recente, a convidada foi Taísa Cabeda, professora da Faculdade de Direito da UPF e especialista em Direito Digital. Ela abordou o tema “Os dilemas da vida digital”. Segundo a professora, ao utilizar sistemas digitais e redes sociais, o usuário precisa estar atento aos riscos envolvidos.
Esses perigos não se limitam à esfera criminal, como calúnia, difamação ou injúria, mas também incluem riscos civis, como manipulação digital e até o vício no uso das plataformas. Para ela, a internet não é um espaço neutro ou seguro, especialmente para os mais jovens, que têm menos discernimento e se tornam mais vulneráveis. Crianças, adolescentes, mulheres e idosos estão entre os grupos mais expostos. Apesar de destacar os aspectos positivos das redes , como reencontrar amigos, buscar informação e manter contato social.
A professora Taísa alertou que, sem moderação e orientação, esses ambientes podem gerar situações de risco, principalmente os chamados cybercrimes. Nesse cenário, o papel dos pais e responsáveis é fundamental. A especialista defende que o uso das plataformas pelas crianças e adolescentes seja limitado e monitorado, reforçando que o diálogo em família é indispensável para prevenir problemas. Ela explica que monitorar não significa cercear a individualidade, mas acompanhar por onde o jovem navega, que conteúdos consome e, principalmente, abrir espaço para a conversa.
A falta dessa atenção pode configurar o chamado “abandono digital”, conceito que já aparece em um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. A proposta prevê responsabilização dos pais não apenas na esfera civil, mas também criminal, em casos de omissão diante de situações graves, como o envolvimento dos filhos em crimes virtuais, situações de cyberbullying ou até tragédias decorrentes da exposição digital. Taísa reforça que a proibição total do acesso às redes não é viável, já que o ambiente digital faz parte da vida cotidiana. O caminho, segundo ela, é a orientação, a construção de confiança e a presença ativa dos pais.