Emoção, Afeto e Comportamento: opiniões radicais são reflexo de vulnerabilidade e da busca por segurança
O Brasil viveu o seu momento político mais polarizado neste ano. Com um país dividido entre dois candidatos, pela primeira vez na história, o campo polarizado se refletiu em discursos acirrados na internet, no trabalho e até mesmo no âmbito familiar. Passadas as eleições ainda há polaridade, com grupos defendendo intervenções e contrários aos resultados nas urnas. Do outro lado há ainda animosidade para quem assim pensa, mantendo o clima dividido. Mas o que está por trás de posições extremas quando se fala em política? O assunto foi abordado dentro do programa semanal Emoção, Afeto e Comportamento.
Apresentado pelo psiquiatra Érico Hecktheuer, o programa desta semana contou com a presenta do psicanalista José Júlio Abuchaim. Conforme o profissional, é preciso entender o que move uma posição extrema. Abuchaim explicou que por trás disso, em um primeiro momento, está a chamada psicologia de massa. Isso significa que uma posição individual encontra eco no coletivo, ganhando forma, energia e poder. Não concordar, ter uma opinião diferente de algo faz parte da personalidade de cada um.
No entanto, Abuchaim explica que uma posição radical e extrema reflete vulnerabilidade frente aos acontecimentos à volta ou até mesmo ao destino. O profissional disse que o ideal construído pela pessoa é o que, para ela, vai resgatá-la daquela insegurança. O ideal projetado em uma pessoa ou posição política traz, para o indivíduo, a segurança buscada. Como reflexo geral, há a defesa extrema daquilo, explicou Abuchaim.