Emoção, Afeto e Comportamento: nostalgia pode gerar desilusão e frustração
A vida é composta por desafios que surgem com o passar dos anos e as diferentes fases atravessadas pela pessoa. Cada uma destas fases desperta sentimentos distintos. A infância tem como ponto forte a inocência, as brincadeiras, os amigos e as primeiras sensações diversas de uma pessoa ainda em formação. A adolescência e juventude segue esta linha, com um ambiente diferente, mas igualmente alegre e cercado pelo ar dos sonhos, das oportunidades e busca pela felicidade.
Já na fase adulta, desafios costumam ser mais constantes e com eles as reflexões sobre o caminho, as escolhas e os resultados obtidos por cada um. Não é incomum, neste momento, a pessoa ser tomada pelo sentimento de nostalgia.
Este sentimento se transfere na moda, nas tendências de móveis e também de comportamento. Mas será que este sentimento é movido pelo que? Há algum tipo de problema ser nostálgico? O assunto foi abordado dentro do programa semanal Emoção, Afeto e Comportamento, apresentado todas as terças-feiras pelo psiquiatra Erico Hecktheuer e Vinícius Brammer.
O convidado desta semana foi o psicanalista Dr. José Júlio Abuchaim. Conforme o psicanalista, a palavra nostalgia remonta do grego, que quer dizer retorno. Esta volta, por sua vez, está associada a sentimentos bons, de felicidade vividos em algum momento da vida. No entanto, tudo se transforma e algo vivenciado em dado momento pode ser impossível de ser mantido ou refeito em tempos atuais, onde a pessoa vive nova realidade.
Isso, por sua vez, pode criar uma busca por recriar aqueles momentos bons em uma chamada bolha nostálgica. Esta criação geralmente não se sustenta, caindo por terra. Como resultado patológico surge então o sentimento de desilusão ou frustração por não ter mais um momento feliz. Para o psicanalista é preciso ter entendimento de que a vida flui, as coisas mudam e a adaptação é uma das chaves quando se fala em seguir em frente.