Emoção, Afeto e Comportamento: mais crianças obesas do que desnutridas são um alerta de saúde global
A crescente taxa de obesidade infantil e a mudança de hábitos alimentares das famílias foram destaques da entrevista com a médica endocrinologista Dra. Vaniza Bordignon Pacheco, convidada do programa Emoção, Afeto e Comportamento, apresentado pelo psiquiatra Erico Heckteuer na Rádio Uirapuru. O programa vai ao ar todas as terças-feiras à noite.
A profissional, que iniciou recentemente sua atuação em Passo Fundo, chamou atenção para o cenário global em que já há mais crianças obesas do que desnutridas. Segundo ela, o dado é inédito na história e representa uma preocupação urgente para a saúde pública.
Durante a entrevista, Dra. Vaniza explicou que a obesidade está diretamente ligada ao aumento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e alterações do colesterol. A médica destacou que o crescimento da população obesa impulsiona de forma significativa o avanço do diabetes no mundo. Ela observou ainda que, no consultório, cerca de 70 por cento das consultas hoje estão relacionadas ao emagrecimento e às consequências da obesidade.
A endocrinologista reforçou que o problema não está apenas na disponibilidade de alimentos, mas no padrão alimentar atual. O consumo elevado de alimentos ultraprocessados, o excesso de açúcar e a baixa ingestão de proteínas e fibras compõem, segundo ela, a rotina das famílias. Dra. Vaniza afirmou que a obesidade infantil é mais difícil de tratar do que a desnutrição, já que o corpo tende a manter o maior peso que já teve, transformando o emagrecimento em um processo de enfrentamento contínuo.
Outro ponto enfatizado pela médica foi o papel central da família na formação dos hábitos alimentares. Ela lembrou que crianças não compram alimentos industrializados, não pedem delivery e não escolhem o que entra na despensa de casa. Por isso, reforçou que cabe aos pais educar, impor limites e oferecer opções saudáveis, mesmo diante das preferências imediatas dos filhos.
A especialista observou também que o sedentarismo é um fator determinante no avanço da obesidade infantil. O uso excessivo de telas, a redução das brincadeiras ao ar livre e a falta de atividades físicas regulares contribuem para o quadro, que exige atenção e mudança de comportamento dentro das próprias famílias.