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Saúde

Em ano de maior número de transplantes no RS, a Organização de Procura de Órgão do HSVP soma 110 protocolos e 27 doações de órgãos

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Rio Grande do Sul registrou, em 2025, o maior número de transplantes de órgãos dos últimos quatro anos, com crescimento de 8% em relação a 2024, conforme dados divulgados pelo Governo do Estado. O resultado reflete a atuação integrada da Secretaria Estadual da Saúde, das organizações de procura de órgãos e dos hospitais habilitados, entre eles o Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, referência regional no processo de captação.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o médico Dr. Cassiano Ughini Crusius, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO 4) do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo, destacou que a região de Passo Fundo e municípios atendidos pela macrorregião missioneira teve participação direta nesse crescimento estadual. Segundo ele, cada OPO atua de forma regionalizada, e o desempenho local contribui para o resultado global do Estado, que alcançou avanço expressivo dentro de um cenário de estabilidade populacional.

De acordo com os dados apresentados pelo coordenador, ao longo de 2025 foram abertos 110 protocolos de morte encefálica na área de abrangência da OPO 4, com a efetivação de 27 doações de órgãos. O número representa aumento em relação aos anos anteriores e reforça o papel da região norte do Estado no sistema estadual de transplantes.

Entre os órgãos mais captados, o rim lidera as estatísticas. Conforme explicou Dr. Cassiano Ughini Crusius, o transplante renal é o mais realizado devido à maior viabilidade logística, já que o órgão pode ser retirado em Passo Fundo e transplantado em centros como Porto Alegre, com tempo de isquemia maior em comparação a órgãos como fígado, coração e pulmão, que exigem maior rapidez entre a retirada e o implante.

O médico também ressaltou que o crescimento no número de transplantes está diretamente ligado à conscientização da população. Segundo ele, o diálogo dentro das famílias sobre o desejo de ser doador é fundamental, pois, em situações de morte encefálica, cabe aos familiares autorizar a doação. Ter essa decisão manifestada em vida facilita o processo e contribui para que a vontade do paciente seja respeitada, além de oferecer conforto aos familiares no momento da decisão.

Ainda conforme dados do Governo do Estado, o Rio Grande do Sul ocupa atualmente a terceira posição no ranking nacional de transplantes, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. O Estado vem apresentando crescimento contínuo nos indicadores, resultado atribuído ao trabalho conjunto entre gestão pública, equipes hospitalares e ações permanentes de informação à sociedade sobre a importância da doação de órgãos.