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Jornal TROCA-TROCA

Editorial TROCA-TROCA : Mudando para que Mundo?

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O quadro político mundial, relatado no cotidiano pela imprensa internacional, está apresentando nuances que, pelo crescente clima de perplexidade que vem sendo gerado, coloca em pauta avaliações que levam a concluir a existência de retrocessos no panorama edificado a partir do final da segunda grande guerra mundial.

Apesar de vários pontos de estrangulamentos na estrutura democrática universal em pauta, embora algumas regiões ainda estarem submetidas à opressão e ao terror havia otimismo quanto uma continua evolução sobre o amanhã.

Durante boa parte do Século XX a população mundial pagou um preço altíssimo em vidas humanas, em sofrimento, em medo, em desesperança, em desespero e, com alto custo, lançou as bases para gestar uma nova civilização.

Termos que sempre caracterizaram (e ainda caracterizam) a existência da barbárie, como limpeza étnica, eugenismo, supremacistas brancos, foram tendo aplicação cada vez mais restrita, indicando que avançávamos na consolidação de uma sociedade mais humana, mais igualitária.

Além disso, aquele passado com a malévola e doentia situação de opressão e desprezo para com outras etnias, religiões, povos humildes, pobre, menos capazes, menos favorecidos, desvalidos, deficientes, mulheres parecia estar sendo sepultado para sempre.

Em regra, a maioria da geração atual não tem noção do que foi esse passado… Agora, não mais do que de repente, tudo isso que parecia estar sumindo de forma gradual parece querer dar meia volta, se reapresenta com ares de quem ressuscita o passado, se posta como a melhor alternativa para a atualidade.

E o que temos nisso é exatamente uma visão hitlerista, nazista, fascista, anticristã que achávamos ter sepultado. E se trata de algo nem tão sutil, eis que agora, quando se observa com mais atenção, essa movimentação mundial, sente-se que isso exala de viés comum de vários recantos do Planeta, mas de modo muito especial de trumpistas, netanyuhistas.

E no contexto dessa estupida e tosca bipolarização mundial surgem, em todos os cantos, legiões de simpatizantes, defendendo a formação de elos com qualquer tipo de comandante autocrata e antidemocrata.

Os chamados lideres dessa situação sabem que o tribalismo, que ainda marca a essencial do ser humano (apesar do estupendo avanço da ciência que criou, sem força um novo mundo quando se olha para o passado da humanidade) e por isso tem consciência que o numero de apoiadores tende a crescer sem limites de hora em diante.

Esse contexto tem facetas complexas ao ponto de muitos democratas, sem poder de força para fazer frente a esse processo, estarem sendo compelidos a se aproximarem da China comunista para tentar fazer algum tipo de contrapeso nesta postura incivilizada. Democratas se aproximam de antidemocratas buscando apoio para atitude com conotação de represália a esses poderosos e seus crescentes seguidores que afetam a democracia?

Este é o quadro político internacional deste momento complexo que já provoca manifestações contundentes de muitos países, especialmente europeus. É natural que assim seja, pois quem passou pelos horrores de duas guerras mundiais tem certeza que a tragédia será ampla e irrestrita caso esse quadro não se modificar logo.

Sim, todos cometemos erros, os santos estão no céu, mas não ter a noção sobre a dimensão do que nossos atos podem produzir significa apostar na insanidade. Organismos internacionais foram gestados, com grande sacrifício, para intervirem em situação de alta dramaticidade, e até estes estão perdendo a importância com essa postura de guerra que vem movendo parcela de governantes poderosos. E isso sim, comprova, que a democracia construída com tanto sacrifico, está ameaçada!

A busca do bom senso é tarefa que nos desafia agora.