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Jornal TROCA-TROCA

Editorial TROCA-TROCA: Brasil aposta alto na ilusão e perde em saúde pública

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Jogatina vai se tornando caso de saúde pública no Brasil

A jogatina, desde os tempos remotos da civilização, exerce fascínio especial sobre a população, na vida em sociedade. E hoje, como ontem, tem o esperto que acha um modo de iludir as pessoas pois a probabilidade de o jogador ganhar é muitíssima menor do que ele se beneficiar de qualquer tipo de aposta.

Na real o apostador passa a viver num mundo onde a ilusão comanda sua vida! Hoje, como ontem, proliferam os espertos, os golpistas, os estelionatários que de forma inteligente e cruel se valem da ambição, da gula, do olho grande da pessoa querer enricar de uma hora para outra sem esforço do trabalho.

Assim fortunas foram perdidas ao longo dos séculos, famílias destruídas e nos dias de hoje depois de quase 80 anos de proibição no Brasil, na era digital, internet, redes sociais, o jogo, a jogatina explodiu, evoluiu e atingiu em poucos meses perigoso patamar jamais visto ou imaginado.

Dados estão sendo revisados, estudos aperfeiçoados, mas números já mostram que 2024 as apostas em jogo de azar no Brasil aumentaram 49%. Num ano em que mais de 50 bilhões de reais migraram do varejo, de pequenos investimentos, empreendimentos, onde gerariam muitos milhares de empregos, para o bolso de um só que muito pouco retorno de progresso trará. Mais, esquemas corruptos envolvendo o futebol para garantir resultados já se tornaram comuns, só para citar uma das novas modalidades de maracutaia que surgiram.

A coisa vem de verdadeira explosão! E nunca mais se ouviu falar em jogos ilegais! Como um passe de mágica a ilegalidade que no passado chegou a preocupar sumiu! A desfaçatez é tamanha agora que o tradicional jogo do bicho virou uma atividade franciscana de pureza, diante da bandalheira que se apresenta.

E os milionários (maioria estrangeiros) donos das jogatinas, primeiro “se associaram” com autoridades, deputados, senadores e o negócio ficou legal. A seguir implementaram as apostas instantâneas e sequestraram o futebol como um todo e ali num assédio permanente ficam captando jogadores mostrando até as probabilidades de ganho na hora junto com a partida que está rolando e a potencial vítima assistindo.

Para vários analistas “vivemos momento em que as fronteiras entre entretenimento e risco estão cada vez mais nebulosas, dificultando a compreensão das nuances legais e sociais da questão. Com o avanço da internet e tecnologias digitais, os jogos de azar encontraram nova plataforma. Sites e aplicativos online se tornaram populares, muitas vezes operando até uma zona cinzenta da legislação”. Na realidade em muitos aspectos o ser humano não muda, e a sedução por dinheiro fácil é a mesma de antigamente, a ganância é a mesma e os espertalhões são iguais.

Talvez o mais chocante agora é ver jovens e até crianças sendo levadas por esse caminho maléfico, como exemplo o tal “tigrinho” (jogo de caça níquel pelo celular), algo dos mais indecentes pela chance quase inexistente da pessoa ganhar. E pior: há pai estúpido, que na hora presentear o filho, opta por dar crédito para ele jogar nessas porcarias. E o pançudo dono da jogatina faceiro, cada vez com bolso mais cheio, mais gordo e levando “de à pá” (como diz o gaudério) grana do nosso país para algum paraíso fiscal; gerando zero de desenvolvimento efetivo ao Brasil como vinham ludibriando. Desenvolvimento só lá para o paraíso fiscal onde foi parar o dinheiro brasileiro.

Estudiosos garantem que em milhões de pessoas o jogo produz efeito que rivaliza com cigarro e álcool. Outros afirmam não ser exagero reconhecer que a compulsão pelos jogos, pela jogatina já é caso de saúde pública – comparam a vicio, a pandemia…

Quando Brasil vira campeão mundial de jogatina (não esquecer bingo, corrida de cavalo, cassinos, jogo do bicho, carteado…) é interessante indagar: “o que os senhores deputados e senadores têm a dizer?” Estão fazendo alguma coisa? Falem, digam algo sobre essa inquietante realidade! E cadê o governo, que medida tomou a respeito? Será que saiu troco por fora como ocorreu no INSS para facilitar a jogatina?

Vamos falar sério, não fazer nada é destruir a sociedade, a moral, a família. E nada contribui para a economia ou crescimento do país. Como muitos vem repetindo, a explosão dos jogos digitais e a crescente influência de figuras públicas promovendo essas práticas elevaram o assunto a um novo patamar de complexidade e não se pode ficar de braços cruzados.