EDITORIAL: mulher vota em mulher?
“Faltando pouco mais de 40 dias para as eleições municipais, uma pergunta que vem sendo feita com insistência nos últimos anos volta à ordem do dia nesta terra da Fagundes dos Reis: será que mulher não vota em mulher?
O debate a respeito é nacional.
Dados da Agência Brasil mostram que em 2016 o país tinha 49.825 vereadores e o número de vereadoras ficava em tão somente 7.782 – isso num universo de eleitores em que a mulher é maioria.
Em Passo Fundo, a disparidade tem sido mais gritante porque o número de votantes do sexo feminino se tornou majoritário. Nestas eleições de 2020, aqui estão aptos a votar 67.642 eleitores do sexo masculino e 79.022 do sexo feminino.
Desde o fim do chamado Estado Novo, em 1945, foram eleitas apenas seis mulheres para a Câmara de Vereadores de Passo Fundo.
São elas: Thereza Almeida, Linda Sarturi, Heloisa Almeida, Zelinda de Thomas, Lourdes Caneles e Claudia Furlanetto.
Além disso, assumiram na condição de suplentes outras três: Olga Poletto, a primeira mulher a ocupar uma cadeira na câmara local, em 1957, Eni Hanauer e Marina Helena Troglio.
Alguns poderão dizer que há poucas candidaturas femininas buscando votos. Até algo como 10 anos atrás isso poderia ser dito, mas não nas últimas eleições.
Em 2016, por exemplo, 92 mulheres concorreram à vereança em siglas que vão da esquerda, passando pelo centro até a direita. Agora, para a eleição de 15 de novembro, esse número aumentou e são 118 candidaturas femininas.
Quando olhamos o protagonismo da mulher em praticamente todos os setores da sociedade, especialmente a partir da década de 1960, não temos como fugir desse questionamento. Por quais razões, afinal, a presença feminina na política local é tão reduzida?
A história viva confirma que aqui, em nosso município, gradativamente a mulher, seguindo uma tendência nacional e mundial, foi ampliando sua presença fora do lar. E ela fez isso no contexto social com competência e determinação.
É fácil de visualizar essa mudança de paradigma na sociedade e confirmar que hoje a presença feminina é forte na economia – como empreendedoras e dirigentes de empresas -, na medicina/saúde, na estrutura educacional de todos os níveis, nas profissões liberais como um todo, nas comunicações, na cultura, nas artes, na assistência social.
O que está em questionamento pode responder por quais razões as mulheres não conseguem na política o mesmo destaque que conseguiram com naturalidade nos demais setores que fazem a vida em comunidades.
Sociólogos e outros especialistas tem batido que a divisão sexual do trabalho, em que a mulher tem dupla jornada, no lar e na profissão escolhida, é uma das razões para que elas não concorram em grande número.
Aqui, nos últimos anos, a quantidade de candidatas só cresce.
Outro argumento é de que os partidos dão pouco espaço para a mulher atuar.
No universo pluripartidário caótico como o brasileiro isso até pode ocorrer, mas aqui aumentam as candidaturas femininas em busca de uma vaga na Câmara. Mesmo que seja com estimulo dos dirigentes dos partidos, obrigados pela lei.
Nossa intenção com esta abordagem é incitar reflexão sobre a minguada presença das mulheres decidindo nosso destino na Prefeitura e na Câmara. Até porque mudanças muitos positivas aconteceram em todos os segmentos em que a presença, o protagonismo, a visão de mundo e o jeito feminino aumentaram.
Assim, vamos compreender como saudável indagação: mulher vota em mulher?“