Editorial Jornal Troca-Troca: Violência entre adolescentes cresce e aumenta preocupação dos especialistas
Barbaridade. Que fato terrível. Meu Deus, que pavor. Em que mundo estamos? Em que ponto chegamos? Aonde vamos parar? Estas foram algumas expressões que mais se ouviu na manhã de terça-feira, 8 de junho de 2025 que ficará marcada na história tal o impacto produzido pela violência produzida por um jovem.
Nesse dia, que com certeza jamais será esquecido pela população da comunidade, um adolescente de 16 anos entra na Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, no vizinho município de Estação, que atende alunos do maternal ao 5º ano, portando um facão e uma faca e, sem qualquer explicação plausível agride estudantes e professora de uma localidade tida como das mais pacatas da região.
Esse agressor mata a facadas o menino Vitor Antônio Kungel Gambirazi, de 9 anos, que estudava no terceiro ano do ensino fundamental e desfere muitas facadas em duas garotas de 8 anos e numa professora que precisaram de atendimento hospitalar pela gravidade dos ferimentos ocasionados pelo agressor.
Esse fato não traumatizou profundamente apenas a comunidade de Estação, a dor e o espanto por ele produzido foi muito longe e afetou de forma particular o Rio Grande do Sul e repercutiram pela sucessão de fatos semelhantes que vem ocorrendo nos últimos tempos não apenas no Estado ou no Brasil.
É tudo muito triste. Todos nós, como consequência, nos colocamos no lugar das mães, dos pais dos que foram atingidos. Por isso não tem como deixar de ser doído para cada um de nós tal acontecimento. Jamais esqueceremos que o rapaz entra na escola num ato normal, corriqueiro, como entraria em qualquer escola com a desculpa de entregar um currículo. O que essa escola poderia fazer? Qualquer porteiro ia deixá-lo entrar!
Várias indagações surgem num contexto em que atitudes extremamente violentas praticadas por menores se repetem com frequência. Uma delas: os jovens de hoje estão mais violentos? O crescimento de fatos semelhantes a esse de Estação chama a atenção e há quem diga que os adolescentes estejam mais violentos atualmente do que em gerações anteriores, ou no mínimo recebendo mais estímulos para manifestações de violência.
E diante disso surge outra pergunta: essa realidade de mundo digital que os jovens vivem quase em tempo integral pode ter tido alguma influência? A aposta nesse sentido é grande. De 2014 a 2025, 56 crianças e jovens, entre 7 e 18 anos, morreram no Brasil em decorrência de desafios postos nas redes sociais. Dias atrás jovem matou pai, mãe irmão, num desafio que nasceu de redes sociais. O jovem de 16 anos que matou os pais e a irmã disse não estar arrependido e que se pudesse “faria tudo novamente”.
As redes sociais não teriam que ser obrigadas a cortar acesso no conteúdo do mal? Ou de novo vem liberdade de expressão do adolescente? Daí não querem regulação, tudo continua terra de ninguém e ganhando milhões por dia! Usando nossas crianças e adolescentes sem ter a mente e consciência formada. Até O Globo citou matéria, entrevista e conteúdo da Uirapuru quando tratamos da questão.
O crescimento de fatos semelhantes ao de Estação vem chamando a atenção de estudiosos por evidências conclusivas de que adolescentes estejam hoje mais violentos do que em gerações anteriores. Embora haja aumento na visibilidade e discussão sobre a violência entre jovens, especialmente através de incidentes como ataques a escolas, esses eventos até podem ser mais amplificados pela mídia e pelas redes sociais.
Na Uirapuru o psiquiatra Érico Hecktheuer disse que “transformações intensas, ausência de apoio e um ambiente social cada vez mais violento estão entre os fatores que influenciam comportamentos agressivos que se iniciam na adolescência. A adolescência é marcada por profundas mudanças biológicas e emocionais, que exigem acompanhamento e compreensão”. Disse que “o adolescente sai da fase infantil e vai para um processo de transformação. Ele precisa encontrar sua identidade, e isso, no mundo atual, ocorre de forma solta, sem auxílio adequado da sociedade.”
É algo que exige reflexão coletiva!