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Jornal TROCA-TROCA

Editorial Jornal Troca-Troca: Proibir redes sociais para salvar nossas crianças

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A partir desta semana entrou em vigor na Austrália, novas regras sobre a participação de menores de 16 anos em plataformas digitais e redes sociais na internet. Esse País da Oceania, está sendo pioneiro na tentativa de salvar os jovens dos vícios e perigos que as redes oferecem para essas crianças e torna-se pioneiro e exemplo a ser seguido por outras nações do mundo todo. Para quem achava que seria impossível proibir ou restringir o acesso dos menores, agora tem um modelo a ser estudado e aplicado. 

Banir adolescentes e crianças de redes sociais é possível e mais do que isso, é eficaz. Essa é a avaliação do governo australiano, que ao adotar a medida de que menores de 16 anos não podem mais usar plataformas digitais, consegue conter, ou pelo menos amenizar uma crise de saúde mental que atinge o mundo todo. O escritor Jonathan Haidt, em seu livro “A Geração Ansiosa”, já vinha alertando para os riscos, bem como para a epidemia de doenças mentais na adolescência devido ao uso desenfreado das redes. Essa novidade, que passou a vigorar na Austrália, foi aprovada pelo parlamento local ainda em 2024 e contou com o apoio de 77% da população. Esse apoio aumentou para 87%, quando ficou decidido que redes como Tik Tok, Facebook, Snapchat, Reddit, X e Instagram, caso descumpram essas normas, receberão multas milionárias.

Para evitar o pagamento dessas multas, a empresa Meta, dona do Facebook e Instagram, por exemplo, já começou a remover todos os menores de 16 anos de suas plataformas. Essa iniciativa da Meta, mostra que o próprio inventor desse mecanismo de rolar a tela, entende que a situação está catastrófica, a ponto de muitos especialistas afirmarem que essa dependência das pessoas por redes sociais se tornou uma “cocaína digital”. Portanto, o que a Austrália vem fazendo, é uma tentativa de salvar, ou pelo menos amenizar esse desvirtuamento da educação, comportamento, socialização e desenvolvimento pessoal.

Especificamente sobre a proibição, será esse o melhor caminho? Ainda não sabemos e precisamos aguardar os resultados. Ao mesmo tempo que se busca dar mais segurança para nossas crianças e evitar o vício digital, a proibição também pode fazer com que esse menores busquem outras alternativas nos cantos mais sombrios da internet. Porém, é uma tentativa de salvar nossos jovens dessa situação doentia em que se encontra toda uma geração. 

Por outro lado, mais do que um problema de saúde mental, o uso desenfreado da internet por jovens e crianças, está cada vez mais os colocando em situação de perigo. Diariamente temos notícias de cyberbullying, gastança exorbitante em jogos online, prática de mutilações, estupro virtual e o mais grave, atentados contra a própria vida. Se existe o bullying nas escolas, que é o abuso com palavrões e agressões físicas constantemente contra uma pessoa, o cyberbullying é ainda pior, pois neste caso é mais difícil identificar o agressor e a exposição da vítima ao ridículo e a humilhação se propaga de forma muito mais rápida, causando transtornos emocionais para o resto da vida. 

Se o cyberbullying é grave, outras ações pela internet são ainda mais tenebrosas. Diariamente, centenas de crianças, no silêncio dos seus quartos, enquanto os pais estão trabalhando ou até mesmo nas salas assistindo novelas e futebol, acabam sendo vítimas do chamado “estupro virtual”. Do outro lado, adultos convencem nossas crianças a tirarem a roupa, fazerem poses obscenas e até mesmo praticarem o ato sexual com objetos. Tudo isso é filmado e depois exposto na Deep Web, a parte obscura da internet, onde ninguém consegue identificar seus usuários. Essas mesmas imagens dos nossos filhos, são comercializadas a preços altíssimos com tarados e pedófilos. 

Não bastasse tudo isso, também nos deparamos com relatos de crianças que são convencidas a se mutilar e caso não o façam são ameaçadas. Essas mutilações têm levado inúmeros jovens a se deprimir a ponto de tirarem a própria vida, seja de forma voluntária ou não. Em São Paulo, a delegada Lisandrea Colabuono, responsável pelo núcleo de investigação de crimes virtuais, que já conseguiu salvar mais de 300 meninas dessas arenas virtuais que promovem estupros, mutilações e suicídios, alerta aos pais ao dizer: “Não deixe o algoritmo conhecer seu filho melhor que você”. O já citado autor do livro “A Geração Ansiosa”, reforça isso, ao dizer que as crianças não devem ter redes sociais antes dos 16 anos.

Que tudo isso, mais a proibição de menores nas redes sociais na Austrália, sirva de exemplo para nós pais ou responsáveis. É inegável o malefício que esse instrumento tem feito em nossas vidas e principalmente na vida das crianças. Mas como adultos, também precisamos entender que boa parte do que vem ocorrendo é culpa nossa, que deixamos nossos filhos fazerem o que bem entendem, às vezes nem sabemos o que estão fazendo e o pior, estamos perdendo nossa autoridade sobre esses que deveriam ser orientados por nós. A escola tem um papel fundamental no sentido de auxiliar nas orientações e educação das nossas crianças, porém, nenhum professor consegue fazer isso de forma eficiente, se em casa, os pais não dão o exemplo ou simplesmente fazem vista grossa para o que ocorre dentro dos próprios lares. 

De outro lado, fazendo o contraponto é doloroso se ter que tomar medida desse radicalismo para conter um desvirtuamento de algo que poderia ser somente salutar, engrandecedor, educativo, civilizatório, instrumento de aproximação de pessoas e tantos outros valores desta invenção mais importante e revolucionária do último século. Mas o lado malévola do ente humano sempre busca uma resposta  contrária ao que o bem propõe. De qualquer forma não podemos nos render e continuar na perseverança, fé que os bons vencerão…