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Jornal TROCA-TROCA

Editorial Jornal TROCA-TROCA desta semana aborda sobre a pesquisa que revela os povos mais felizes do mundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Onde mora a felicidade?

Afinal, o que é felicidade? Onde mora a felicidade? Quem traz a felicidade? Quem não busca a felicidade? Qual é o local que reúne mais pessoas felizes em nosso Planeta?

Sobre felicidade no Minidicionário Soareas Amora da Saraiva está posto: 1) Concurso de circuntâncias que causam ventura; 2) qualidade ou estado de quem é feliz. No dicionário Aurélio, felicidade é “qualidade ou estado de feliz; bom êxito; sucesso.” Claro, diz pouco. 

E entre as incontáveis definições felicidade está a que a define como “estado emocional que se caracteriza por sentimentos de bem-estar, contentamento, realização e satisfação. É estado interno que permite acessar bem-estar maior, independente de situações e aquisições externas”.

Para não poucas pessoas “o melhor conceito que se pode dar para felicidade é o estado pleno de satisfação que a pessoa consegue alcançar. Assim, para ser feliz, é preciso estar satisfeito consigo mesmo, com o ambiente, com as pessoas com quem se convive, com as realizações e conquistas, entre outros detalhes”.

Na vida cotidiana buscar a felicidade é meta corriqueira das pessoas, é projeto de governos, é ambição de países, é aspiração das religiões.

Num contexto amplo há quem pergunta: “na atualidade qual é o povo mais feliz do Planeta?” Um levantamento mundial recente foi executado pelo Instituto Ipsos (multinacional francesa de pesquisa e consultoria de mercado) para responder essa indagação. Divulgado agora em 2025 o resultado desse levantamento que “mediu os índices de felicidade em 30 países aponta o indiano como o povo mais feliz da terra”. 

Isso mesmo: em primeiro lugar está a Índia (país mais populoso, sétimo em território, a maior democracia do Planeta), onde 88% dos entrevistados afirmaram ser felizes. A Holanda ocupa o segundo lugar, o México o terceiro, a Indonésia o quarto e o Brasil o quinto lugar.

De certa forma esse dado do Instituto Ipsos pode surpreender pois a maioria da população “indiana vive na zona rural, sua economia é essencialmente primária, concentrada nas atividades agrícolas e exploração de recursos minerais e imagens de pobreza percorrem o mundo com certa regularidade”. Se é real que o PIB do país é um dos maiores do mundo e real também que a renda per capita é das mais baixas.

Nesse quadro observações de um passo-fundense que retornou recentemente da Índia, após período de convivência especial no país corrobora o que diz a pesquisa da Ipsos, mesmo que muitas imagens possam dar impressão contrária.

Sim, há um ambiente de pobreza explicita no país, mas, no dia a dia, na rotina da vida, as pessoas, homens, mulheres, jovens e adultos são comunicativas, demostram estar felizes, são gentis, não xingam, o sorriso é estampado nos rostos, nas ruas apinhadas de gente não há nada desse empurra-empurra, desses atropelos comuns quando multidões se movem.

Isso em contraponto à Singapura, cidade-Estado “considerada uma emblemática história de sucesso em desenvolvimento econômico e social, eis que em poucas décadas, passou de local agrário e sem recursos naturais para uma das maiores economias do mundo, servindo de exemplo para nações vizinhas e até para as mais distantes”, a realidade do cotidiano é diferente, embora tudo esteja ao alcance da população.

Sim, materialmente nada falta em Singapura, o poder aquisitivo individual é alto “mas não sou feliz porque as pessoas estão ocupadas trabalhando para acompanhar o custo de vida inflado em vez de construir e fortalecer laços com a família e os amigos” disse um morador na rede social. Num rio de manifestações semelhantes outro ressaltou: “Pode ser que eu não saiba o suficiente sobre a situação, mas para aqueles que estão lutando para manter padrão de vida, não sobra tempo para ponderar questões filosóficas como “sou feliz?” ou “qual o sentido da vida?”

O levantamento do Instituto Ipsos, a experiência de passo-fundenses na Índia e a realidade de Singapura postos na mesa nos permitem algumas reflexões interessantes. Uma delas sobre o dinheiro e bens materiais. Sim, precisamos de dinheiro, mas “o dinheiro não é capaz de proporcionar felicidade plena e duradoura; ou seja, busca pelo dinheiro não é o único caminho para a felicidade.

Assim, entre tantos podemos citar felicidade, do ponto de vista filosófico, como um estado de bem-estar, plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico. É também um objetivo moral de vida, um fim em si mesmo, que guia as ações humanas. Tudo bem, mas onde mora a felicidade?