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Geral

Editorial: Intolerância como postura assustadora na internet

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

As novas tecnologias postas à nossa disposição possibilitaram saltos de qualidade na vida das pessoas inimagináveis por nossos ancestrais. Não são poucas as conquistas da ciência, nos mais diversos setores, que colocaram o ser humano em novo patamar.

De modo extraordinário entre as ferramentas fenomenais dessa evolução está a denominada de internet e as ditas redes sociais que criaram um espaço praticamente infinito na troca de informações rápidas, para a livre circulação de ideias e opiniões.

Entretanto, como tudo que acontece, há um outro lado da moeda, há um outro aspecto desse avanço tecnológico que já colocou o Planeta numa espécie de prontidão, de alerta: a intolerância, o ódio, a raiva, a ignorância, a insensatez que passou a inundar a internet, uma das novas tecnologias mais fascinantes da comunicação moderna.

Como descreve a revista IstoÉ no território da internet foram “instalados tribunais instantâneos que elevam ou enterram reputações de celebridades e gente comum sem piedade. Nesse meio é possível ter acesso aos mais brilhantes pensadores e conhecer gente bacana para, no clique seguinte, entrar na mira do pior dos criminosos ou ser vítima do mais insuspeito mau-caráter. Há notícias falsas, mentiras políticas, campanhas de ódio, constrangimentos públicos, agressões verbais, preconceitos, assédios, exposições de intimidade e até tentativa de homicídio usando os canais para aproximação com a vítima”.

E não se trata de dizer, de forma simplista, que é coisa de gente analfabeta, com pouca ou nenhuma instrução. Nada disso. Pessoas graduadas, com currículos construídos dentro de universidades, com destaque na vida econômica, social e política conforme os levantamentos na internet comprovam, se acham no direito de dizerem o que bem entendem, mesmo que isso destrua outro ser humano. Isso é tão verdade e grave que aqui no País o Facebook se viu obrigado a derrubar nesta semana uma rede com 88 contas, páginas e grupos ligados a funcionários dos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro e aliados. Quem imaginaria isso, de são consciência?

O Brasil, embora não esteja sozinho na insanidade que envenena as redes sociais, alcançou feito incrível ao politizar a pandemia que já atingiu mais de um milhão e meio de cidadãos e se aproxima das 70 mil mortes. Chegamos à façanha de avaliar a pandemia com viés de esquerda ou de direita e nesse sentido passar a denegrir inclusive quem arrisca a própria vida para combater esse vírus que, com certeza, não tem qualquer ideologia.

A situação ficou tão grave que o Senado aprovou dia 30 de junho lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, com normas para redes sociais e serviços de mensagens como WhatsApp e Telegram quer evitar que notícias falsas causem danos individuais ou coletivos e à democracia. E já vem pronta para combater a mentira na campanha eleitoral. Mais: algumas das maiores empresas do Planeta deixaram de anunciar nas redes sociais pela situação caótica criada pela mentira em vigor.

Chegamos a ponto crítico de tal envergadura que psicólogos, psiquiatras, médicos, sociólogos e outros de diferentes países, se debruçam na questão em busca de explicação sobre algo tão deletério e sobre o que pode ser feito para superar os danos de tal atitude.
Alguns estudiosos da questão sustentam que a agressividade de alguns internautas pode ser explicada por se sentir protegido da reação instantânea de quem ele agride verbalmente pela falta de contato físico. Com certeza os termos do diálogo diferentes, bem mais civilizados, se ocorresse frente a frente ou em grupos presenciais.

Psicólogos dizem que o que causa espanto é a superficialidade dos argumentos de internautas, o fato das informações terem bases comprovadamente falsas, a polarização política patética e a agressividade. Totalmente despreparados eles espalham mentiras e barbaridades que são seguidas por incautos sem a mínima preocupação com os estragos que provocam.

O Brasil não é o único nesse clima mas, infelizmente, já se sobressai entre os demais. “Impotência, frustração e uma necessidade de se impor sobre outras pessoas”, desse modo a psicóloga americana Pamela Rutledge, diretora Centro de Pesquisas sobre Psicologia e Mídia na Califórnia, avalia a agressividade de muitos “comentaristas” de redes sociais em tempos de polarização política no Brasil. Ela fala sobre as diferenças de comportamento do ambiente físico para o virtual. “As pessoas são as mesmas, online ou off-line. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. As pessoas falam sem pensar. É diferente da experiência social off-line, em que você se polícia por conta da proximidade física do interlocutor”.

Sem dúvida essa alta intolerância como postura assustadora na internet só traz prejuízo, colocando em prática insano processo de perde-perde que dificulta a criação de ambiente de tranquilidade que possa nos tirar da crise geral. Mais, a intolerância à diversidade cria um clima esquizofrênico que compromete até nosso futuro imediato.