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Jornal TROCA-TROCA

Editorial do Jornal Troca-Troca desta sexta-feira (26): Inteligência Artificial no combate à corrupção

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A Albânia é um pequeno país localizado no sudoeste da Europa, numa região montanhosa chamada de Península Balcânica. Essa sempre foi uma região de muitos conflitos principalmente antes e durante a Primeira Guerra Mundial. Ao final deste conflito em 1918, a Albânia, diferente dos seus vizinhos Croácia, Sérvia, Bósnia e Montenegro que deram origem à hoje extinta Iugoslávia, conseguiu manter sua independência e soberania, mas por ser pequena e enfrentar sérias dificuldades econômicas, se alinhou ao bloco socialista comandado então pela ex-União Soviética.

Até 1912 fazia parte do território Otomano. Hoje está bastante alinhado com a China, e é uma República Parlamentarista. Com menos de 3 milhões de habitantes, a Albânia é um país com um alto índice de desenvolvimento humano e em ascensão econômica. Infelizmente, como muitos países do antigo bloco socialista do leste europeu, sofre com a corrupção e desvios de dinheiro público, algo bastante semelhante ao que acontece nos países abaixo da Linha do Equador, entre eles o Brasil.

Mas esse pequeno e histórico país apresentou recentemente uma inovação e virou manchete mundial, sem contar, que essa iniciativa pode ser copiada por outros países. Agora, em setembro, eles deram um passo sem precedentes no uso da inteligência artificial (IA). O governo albanês nomeou um Avatar da Inteligência Artificial como Ministra de Estado para Contratações Públicas. Esse Avatar, que leva o nome de Diella, foi criado pela Agência de Informações da Albânia e vinha sendo usado desde janeiro como assistente virtual auxiliando os cidadãos em serviços públicos on-line. Diante do sucesso da Diella, o governo resolveu ampliar sua função, agora como Ministra de Estado.

O governo justificou essa iniciativa, dizendo que o objetivo é combater a corrupção que assola o país em processos de licitações públicas. A iniciativa faz parte de uma estratégia maior do governo para melhorar a transparência, eficiência e atender exigências para sua candidatura de adesão à União Europeia, prevista para 2030.

Agora, seria muito interessante se essa experiência albanesa chegasse a outros países, e atingisse o nosso Brasil. É claro, que aqui, no caso, um único Avatar de IA não seria o suficiente para dar conta do recado.

Precisaríamos no mínimo de milhares de IAs, não apenas em cargos de ministros de estado, mas também no Congresso Nacional, autarquias e até mesmo nas esferas estaduais e municipais.

Nosso Brasil é reconhecido mundialmente como um dos piores em matéria de distribuição de renda, o que gera uma maioria da população em situações econômicas delicadas e até gravíssimas. Associado a isso, temos um sistema político corrupto e corruptível, que gosta de fazer o discurso da moralidade, mas na prática articulam na grande maioria das vezes em causa própria e protecionista, sem levar em consideração o povo e o dinheiro público.

Os desvios, corrupção e superfaturamentos são visíveis nas obras públicas, por exemplo. A Vila Olímpica, construída e superfaturada para as Olimpíadas do Rio em 2016, deveria após os jogos ser vendida e servir de condomínio residencial. As vendas foram lentas e apenas 30% da área foi comercializada e o restante foi invadido. Além disso, foi tão mal planejada, que arquitetonicamente não contribui nem com a paisagem do local.

A Copa do Mundo de 2014 foi outro desastre em matéria de desvios. A coisa foi tão mal feita ou desleixada, que tem obras para a copa de 2014 que nem sequer foram concluídas, passados 11 anos.

Esses são apenas dois exemplos do mal uso do nosso dinheiro, sem levar em consideração obras como pontes, estradas, aeroportos e principalmente, fazendo vistas grossas para os orçamentos paralelos ou secretos, como queiram chamar.

Levando tudo na ponta do lápis, no Brasil precisaríamos de umas10 mil Diellas para poder controlar melhor as contas públicas e não apenas acabar com a corrupção, mas também com a morosidade e blindagem que ocorre entre os nossos representantes políticos, sejam eles do executivo ou legislativo. Além do mais, do jeito que as coisas estão na nossa política, já tem gente por aí defendendo a candidatura de um Avatar com Inteligência Artificial para 2026. Claro que isso ainda não é possível pela legislação eleitoral brasileira. Mas se pensarmos bem, até que a ideia não é ruim.