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Jornal TROCA-TROCA

Editorial do Jornal Troca-Troca: Brasil um país independente mas dependente dos políticos

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Neste mês de setembro celebramos os 203 anos da Independência do Brasil, proclamada pelo príncipe regente e que viria a ser imperador Dom Pedro I em 07 de setembro de 1822. Para muitos historiadores, é neste momento que nasce o sentimento de pertencimento a uma nação. Porém, esse sentimento de tornar-se livre do domínio português e constituir uma pátria brasileira, começa um pouco antes e está relacionada com as Guerras Napoleônicas. No início do século XIX, Napoleão Bonaparte, um dos grandes comandantes de batalhas durante o processo da Revolução Francesa, assume o controle da França de uma forma autoritária e imperialista. Essa atitude de Bonaparte, fez com que a França ampliasse seus domínios e tomasse conta de praticamente toda a Europa.

            Naquela época, a corte portuguesa, que mantinha estreito comércio com a Inglaterra e para mantar seu poder e relações com os britânicos, coloca em prática uma fuga para o Brasil, que até então era uma colônia explorada pelos portugueses. Daqui, apenas saiam nossas matérias primas e produtos que abasteciam os cofres da corte lusitana. Com a chegada da família real, o status do Brasil muda drasticamente. A até então explorada colônia, passa a ser sede do reino português. Junto a isso, vieram diversos investimentos e melhorias, como bibliotecas, escolas, teatros, bancos, jardins e todo um aparato de prédios da administração pública. A situação tomou uma proporção ainda maior, quando em 1815, Dom João VI decreta o Brasil como Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Ou seja, neste momento o Brasil deixa de ser oficialmente uma colônia e passa a ser considerado reino.

            Para os brasileiros esse foi um ato extremamente importante, pois passamos a ter lucros, comércio, relações internacionais e não apenas uma terra a ser extorquida. Já os portugueses, que nesta época já comemoravam a derrota de Napoleão Bonaparte, sentiram-se prejudicados e exigiram a volta de Dom João para Portugal, pois tinham a intenção de recolonizar o Brasil. Diante disso, uma elite política brasileira se uniu em torno de um discurso único, deixando as diferenças ideológicas e políticas de lado e passaram a defender a separação do Brasil de Portugal, pensando no bem de todos. Foi assim, deixando diferenças de lado, que essa elite brasileira na época se une, convence e apoia o príncipe Pedro a proclamar a nossa independência, no famoso episódio que ficou conhecido como o “Grito do Ipiranga”.

            Mas hoje, passados esses 203 anos, será que a nossa elite política se une em prol do bem comum? Infelizmente não. Todo aquele movimento que culminou com nossa autonomia, parece que ficou no passado e hoje serve apenas como discurso para nossos políticos atuais quando chega a semana da pátria. Nos deparamos com nossos representantes cada um puxando “brasa para o seu assado”. É verbas parlamentares que vão para tal reduto eleitoral, sem clareza para o que realmente será usada; É partidos políticos se digladiando para conseguirem cargos nos principais setores do governo; ideologias partidárias que são colocadas acima dos interesses da nação brasileira. Esse é um resumo da nossa atual elite política.

            Nos últimos anos, para piorar ainda mais a situação, vivemos uma polarização política terrível, agressiva, radical e fundamentalista. Uns comemoraram a prisão de um ex-presidente e depois se frustraram com a liberdade deste e com o mesmo podendo concorrer a uma nova eleição. Do outro lado, uma expectativa vibrante com a possível prisão de outro ex-presidente, num clima de total revanchismo entre ambas as partes. Esse absurdo chegou a um extremo de o lado opositor atual se unir a outro país, EUA, atacando nosso Brasil e brasileiros como um todo, chegando enviar um elemento para lá conspirar, por não gostar de determinada pessoa do judiciário, de quem está Presidente, de quem pensa diferente do grupeto deles. E aqui, não tem distinção entra esquerda ou direita, pois todos, absolutamente todos dessa classe política partidária estão neste confronto por egos.

            Mas como acontece na recente política brasileira, nada está tão ruim que não possa piorar. Pois às vésperas do 7 de setembro, data máxima do nosso País, essa classe dominante começou a dilacerar uma lei do povo e para o povo. Trata-se da “Lei da Ficha Limpa”. Pois na calada da noite e de forma urgente, essa famigerada categoria de políticos conseguiu alterar a lei, diminuindo punições e beneficiando companheiros envolvidos com cassação e inelegibilidade por falcatruas e desvios cometidos em seus mandados. O asco se acentua ao vermos projetos diretos de benefícios ao povo como a isenção de I.R estar engavetado. Não há outra qualificação para esta gente que não seja: cretinos.

            Esperar o que deste País independente? Parece que tudo o que foi construído de forma unida em prol dos brasileiros, aos poucos vai sendo esquecido, distorcido e ignorado, para que privilégios pessoais de uma minoria dominante sejam atendidos. O lado bom de tudo isso, como sempre, é o povo brasileiro, que mesmo enfrentando essas adversidades, continua firme e forte, construindo um Brasil desenvolvido na maioria dos segmentos. Quem sabe politicamente, num futuro próximo, também possamos conquistar desenvolvimentos na área da política, especificamente tendo consciência em quem votar.