Editorial do Jornal TROCA-TROCA avalia a posição do governo sobre a Fraude no INSS
Governo vacila em agir com rigor contra corrupção no INSS
Clima de perplexidade envolve o Brasil ao constatar o vacilo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) diante da pressão que vem sofrendo tanto para demitir quanto para manter o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (Previdência) após o escândalo no INSS que desviou de forma criminosa mais de 6 bilhões de reais entre 2019 e 2024 prejudicando os aposentados.
O que se constata é que não apenas este, mas todos os governos não conseguem governar com ética, de modo transparente, colocando o interesse coletivo em primeiro lugar pelas relações escusas que movem os bastidores da política nacional mergulhada num mar de partidos sem clareza programática e postura ideológica.
Entra governo, sai governo, sempre tem denúncia de desmandos, de escândalos, de roubalheira, de postura política inadequada. É longa essa lista de mal feitos, independente da postura ideológica e os impeachments de presidentes de direita (Collor) e de esquerda (Dilma) tristemente apenas comprovam tal assertiva. Sempre, óbvio, com custo econômico e social altíssimo para a população.
Agora por exemplo o presidente que está no poder não consegue agir com postura de estadista, dentro da lei e da ética e defenestrar um ministro altamente suspeito, com um passado horroroso de pilantragem, como é o caso de Carlos Lupi porque seu partido ameaça deixar o poder já que o PDT é a agremiação de maior apoio no momento.
E isso acontece mesmo com outros aliados argumentando que este caso aponta que esse criminoso desvio de bilhões de reais de aposentados e pensionistas, pode se tornar na maior crise do governo e, quanto mais tempo o ministro ficar, pior serão as consequências para o governo…
Como a população, principal vítima deste e de todos escândalos que só aumentam a pobreza e as dificuldades cotidianas, pode entender e aceitar que um integrante do poder central que foi conivente com roubalheira estrondosa permaneça no cargo influenciando nosso destino e o presidente da República ter, simplesmente, de engolir tal absurdo?
Como aceitar isso? Como mudar com essa prática? Nunca é demais reiterar: “as investigações neste caso confirmam que num primeiro momento o Ministro Lupi defendeu seu apadrinhado mesmo sabendo do esquema de corrupção. Documentos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontam que o esquema de descontos indevidos de benefícios do INSS envolveu pagamento de propina a servidores, uso de associações de fachada e lobistas. As investigações mostram que a fraude consistiu em descontos irregulares e não autorizados de recursos de aposentados e pensionistas ao longo de anos, desde governo passado.
Normalmente, em qualquer outro país, num problema dessa dimensão, resultaria no afastamento imediato do ministro. Não tem conversa, mas aqui só Alessandro Stefanutto, que comandava o INSS por indicação de Lupi foi demitido por Lula assim que o escândalo estourou na semana passada. Mas isso é pouco, muito pouco… A bancada do PDT no Legislativo Federal (17 deputados e 3 senadores) deixou claro que se Lupi for demitido, “a sigla não indicaria outro nome e é provável que desembarque do governo. E é por isso que o presidente vacila agora… Para quem espera posturas e respostas éticas em casos como os das “tais emendas secretas” nada estranha nos procedimentos em torno do escândalo do INSS onde número significativo de políticos agem como quem se lixa para a população…