Economista alerta que o aumento da energia elétrica deve impactar também no preço de bens e serviços
Em uma sequência de altas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,89% em agosto, esse é o maior resultado para um mês de agosto desde 2002. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o maior impacto no índice veio do aumento de 5% da energia elétrica, que exerceu o maior impacto individual no resultado, sendo responsável por 0,23 ponto percentual no índice do mês.
O Brasil sofre uma crise hídrica, a pior em 91 anos, e para que não haja racionamento de energia a luz deve ficar ainda mais cara. Já tivemos um reajuste na bandeira vermelha patamar 2, que é a mais alta, de 52% no mês de julho. Hoje pagamos R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, e o aumento deve girar em tono entre R$ 15 e R$ 20.
Em entrevista à Uirapuru, a economista e coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Universidade de Passo Fundo, Cleide Moretto, disse que a energia elétrica vai impactar além da nossa conta de luz, pois esse é um insumo básico. A energia elétrica não está só envolvida nos gastos domésticos, mas, sobretudo, no processo produtivo, isso irá repercutir no preço final de outros bens e serviços.
O aumento da energia elétrica chega para piorar a inflação dos próximos meses, justamente porque não existe previsão de retorno da tarifa mais barata. A previsão é que até o final do ano não haja reversão dos níveis hídricos, portanto, com essa previsão no âmbito climático, a consequência é um custo de energia maior.
Cleide explica que o governo já criou o sistema de bandeiras para monitorar o consumo de energia. Ainda segundo ela, as ações do governo frente a essa crise é criar uma política de mudança da matriz energética. O que tem sido discutido há anos tanto pelo poder público como privado.